Campanha pela manutenção da liberação sindical remunerada do presidente do Sindicato de Jornalistas de São Paulo

A editora Abril decidiu pôr fim à liberação sindical sem prejuízo de vencimentos do presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), Paulo Zocchi, convocando-o a voltar ao trabalho a partir de 30 de outubro. Diante disto o sindicato realiza uma moção, defendendo a continuidade da liberação remunerada do presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Entendendo tratar de uma atitude antissindical da Abril, o SJSP afirma que tal atitude ataca de forma objetiva a capacidade de atuação de nossa entidade. Não é possível conciliar a jornada regular de trabalho com as atividades da Presidência de um sindicato de base estadual, que representa uma categoria distribuída em dezenas de empresas.

A própria Abril, ao assinar o acordo de liberação, em 2015, reconheceu esse fato, mas agora rompe com o acordo, no que avaliamos ser uma retaliação à firme atividade do sindicato em defesa dos jornalistas, em geral, e, particularmente, dos da própria empresa.

Por isso, o SJSP desenvolve a campanha para fazer com que a Abril recue e mantenha a liberação remunerada até o fim do mandato sindical, em agosto de 2021.

 

Abril ataca Sindicato dos Jornalistas de SP ao cassar liberação do presidente da entidade!

A editora Abril convocou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Paulo Zocchi, a voltar ao trabalho na empresa a partir de 30 de outubro próximo, encerrando cinco anos de liberação sindical sem prejuízo de vencimentos, iniciada em 2015.

Essa atitude da empresa ataca o exercício do mandato sindical, pois o cumprimento da jornada normal de trabalho impede o desempenho pleno das atividades ligadas à Presidência da entidade. Zocchi é também vice-presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas).

O Sindicato dos Jornalistas é uma entidade de âmbito estadual, que representa uma categoria distribuída em dezenas de empresas. O exercício do mandato de presidente exige uma extensa atuação diária, em reuniões com os jornalistas, negociações com empresas, audiências judiciais ou com o Ministério Público, além de reuniões com outras entidades sindicais ou sociais em defesa dos interesses da categoria.

A própria Abril, aliás, reconhecia isso no acordo de liberação sindical, assinado pelas partes em 2015, no qual está escrito: “Considerando-se a solicitação da entidade sindical para a liberação do empregado para o exercício de suas atividades sindicais em período integral, vez que seriam incompatíveis com a manutenção de suas atividades profissionais na empresa”.

 

Por que agora a empresa resolve romper esse acordo?

Só podemos entender como um ataque à categoria dos jornalistas e uma retaliação à sua entidade representativa. Impedir que o presidente do Sindicato seja liberado, sem prejuízo de vencimentos, enfraquece objetivamente a capacidade de organização dos jornalistas para enfrentar os ataques às suas condições de trabalho.

A Abril conhece muito bem o intenso trabalho do SJSP na luta contra o calote da empresa resultante da demissão de centenas de funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, em 2018. Viu de perto a atuação da entidade no complexo processo de recuperação judicial da empresa, quando o SJSP conquistou garantias para os trabalhadores que não estavam previstas inicialmente. O Sindicato contestou também as demissões em massa feitas pela Abril, obtendo na Justiça a anulação das demissões (processo em trânsito). Defendeu o pagamento das multas previstas em lei e na convenção coletiva e lutou para garantir condições adequadas de saúde para o trabalho na pandemia, além de se opor à redução de salário permitida pela MP 936 do governo Bolsonaro. É contra essa atividade permanente em defesa dos jornalistas que se volta a atitude antissindical da Abril.

No momento de crise profunda vivida pelo Brasil, com diversos ataques do presidente da República à liberdade de informação e de imprensa, sérias violações às prerrogativas dos profissionais de comunicação, o SJSP – maior sindicato de jornalistas do país – tem presença ativa na atuação das forças democráticas. A decisão da Abril enfraquece também a defesa da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.

Além disso, a Abril tem 2.657 funcionários (dados de maio de 2020) e dispõe de meios para desenvolver seus projetos jornalísticos sem depender da volta imediata ao trabalho do atual presidente do SJSP. Essa exigência não passa de um ataque ao Sindicato.

Este é um chamado dirigido a jornalistas de São Paulo, entidades sindicais, movimentos populares, instituições democráticas, parlamentares comprometidos com a liberdade e autonomia sindical e a democracia. Uma assembleia da categoria decidiu construir uma campanha contra a prática antissindical da Abril. Pedimos que enviem suas manifestações à Abril, reivindicando que a empresa reveja sua decisão e mantenha a liberação do presidente do Sindicato dos Jornalistas, com pagamento de salários e direitos, até o fim do mandato, em agosto de 2021.

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