Autoridades argentinas repudiam ataques ao presidente Lula

O presidente da Argentina, Javier Milei, esteve no Brasil em 27 de julho para participar do evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Durante a cerimônia, Milei proferiu ofensas contra Luís Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Lula foi chamado de “presidiário” e, nos dias posteriores ao evento, o chefe de estado argentino publicou nas redes sociais textos que reafirmam essa posição. Milei se referiu a Moraes como “lixo careca”.
O argentino e o senador brasileiro também desfilaram juntos segurando uma tesoura, símbolo das medidas de corte na educação pública realizadas por Milei durante a gestão. A partir do ocorrido, entidades sindicais da Argentina publicaram declarações de repúdio aos pronunciamentos no evento.
O secretário-geral da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA-T), deputado e educador, Hugo Yasky, divulgou na quarta-feira (29) uma carta em solidariedade ao presidente brasileiro.
“Diante dos insultos inaceitáveis proferidos pelo presidente do meu país, Javier Milei, desejo expressar minha mais firme solidariedade ao senhor. Tais ofensas não refletem o sentimento do povo argentino como um todo e, certamente, não o da classe trabalhadora”, escreveu Hugo, que tem atuação intensa na Internacional da Educação (IE).
Veja a íntegra da carta escrita por Hugo Yasky
Cidade Autônoma de Buenos Aires, 29 de julho de 2026.
Prezado companheiro e Presidente do Brasil:
Luiz Inácio Lula da Silva
Escrevo-lhe não apenas como legislador argentino, mas também como representante da Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA-T), falando com o afeto de quem compartilha com o senhor o orgulho de ter raízes nas lutas pelos direitos da classe trabalhadora e dos mais humildes entre nós.
Diante dos insultos inaceitáveis proferidos pelo presidente do meu país, Javier Milei — ditos durante um ato de campanha do movimento de extrema-direita conhecido em seu país como bolsonarismo —, desejo expressar minha mais firme solidariedade ao senhor. Tais ofensas não refletem o sentimento do povo argentino como um todo e, certamente, não o da classe trabalhadora.
As elites que detêm o poder concentrado — tanto dentro quanto fora do seu país — jamais o perdoarão por priorizar as necessidades das classes trabalhadoras e por tirar mais de 30 milhões de brasileiros da pobreza. Tampouco perdoam o fato de que, tendo nascido em um lar humilde, o senhor ascendeu à presidência sem jamais vacilar em sua lealdade à sua classe. Pelo contrário, a direita busca líderes subservientes aos grandes poderes econômicos; é por isso que um líder que personifica a soberania e a independência os incomoda.
Eles também atacam a visão histórica da Pátria Grande — aquele grande empreendimento de integração regional e desenvolvimento compartilhado que deve ser retomado pelos governos do nosso continente para pôr fim à capitulação buscada por aqueles que desejam ver a América Latina de joelhos. Estou plenamente ciente do seu imenso compromisso com essa causa nobre: a unidade dos povos latino-americanos.
Portanto, envio-lhe esta saudação fraternal da Argentina como um humilde gesto de desagravo. Ela também reafirma nosso compromisso inabalável de continuar trabalhando em espírito de fraternidade para transformar nossas nações em territórios de paz, justiça social e respeito aos direitos humanos.
Hugo Yasky
Deputado Nacional – Unión por la Patria
República Argentina
Outras declarações
Além de Hugo Yasky, mais de 20 políticos argentinos assinaram um documento de repúdio às atitudes de Milei, apresentado formalmente na Câmara dos Deputados de Buenos Aires.
O deputado Jorge Taiana encabeçou a declaração, com apoio de: Eduardo Valdés, Hugo Moyano, Diego Giuliano, Nicolás Trotta, Kelly Olmos, Lorena Pokoik, Blanca Osuna, Caren Tepp, Santiago Roberto, Hugo Yasky, Juan Carlos Molina, Santiago Cafiero, Juan Marino, Fernanda Miño, Guillermo Michel, Jorge Neri Araujo Fernández, Nancy Sand, Victoria Tolosa Paz, Agustín Rossi, Horacio Pietragalla Corti, Carlos Castagneto, Sebastian Galmarini, Roxana Monzón, Claudia Palladino e Adriana Serquis.
Leia aqui a declaração completa.
Com informações do Painel Político
Fonte: CNTE
