Alunas da rede pública desafiam barreiras na Matemática
Historicamente, o universo da Matemática tem sido ocupado majoritariamente por homens, não por diferenças biológicas, mas por fatores socioculturais que afastam meninas das ciências exatas. Entretanto, alunas de escolas públicas do Distrito Federal vêm conquistando espaço na área e mostrando que a disciplina também é lugar de mulher.
A Escola Classe (EC) 64 de Ceilândia, por exemplo, tem se destacado como uma das mais premiadas da rede pública do Distrito Federal em olimpíadas científicas, com forte participação feminina.
Segundo a Secretaria de Educação, dados das premiações de 2025 da rede pública do Distrito Federal indicam que, no Nível 1 — que contempla estudantes do 6º e 7º anos, entre 11 e 13 anos —, as meninas representaram 47% dos premiados. No Nível 2 (8º e 9º anos), elas correspondem a 34% das premiações, enquanto no Nível 3 (ensino médio), a participação feminina chega a 31%.
“Quando participamos de atividades práticas envolvendo a Matemática, percebemos como as estudantes compreendem e aplicam os conhecimentos de forma criativa e significativa. Em olimpíadas e eventos de robótica, elas demonstram protagonismo, dedicação e interesse pelos estudos, mostrando que a presença das meninas na Matemática e nas áreas tecnológicas é cada vez mais forte e necessária”, afirmou o professor Marlon Santos, da EC 64 de Ceilândia.
A disciplina que dá medo
A Matemática ainda desperta medo e insegurança em muitos alunos(as). De acordo com dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) 2022, cerca de 65,1% dos(as) estudantes brasileiros(as) se sentem ansiosos(as) com a possibilidade de reprovar em matemática. O levantamento aponta ainda que 64,3% se sentem incapazes de resolver um problema matemáticos.
Para o professor Marlon, esse afastamento está relacionado ao fato de a disciplina muitas vezes não ser percebida como parte da realidade dos estudantes, o que dificulta o aprendizado. “A Matemática está presente no cotidiano e pode ser ensinada de forma mais próxima e significativa. Quando o estudante consegue relacionar o conteúdo à própria vivência, a aprendizagem se torna mais natural, despertando interesse e ajudando a superar medos e inseguranças em relação à disciplina”, afirmou.
