Categoria lota Praça do Buriti contra censura e autoritarismo do governo Celina na educação pública do DF
Professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais e estudantes ocuparam a Praça do Buriti, na manhã desta quarta-feira (21), para fazer o ato com paralisação convocado pelo Sinpro contra o autoritarismo e a censura nas escolas. Além da categoria, a mobilização reuniu políticos e representantes do movimento estudantil, da UBES, da ADUnB, da CUT-DF e da CNTE em defesa da gestão democrática, da autonomia pedagógica das escolas e da liberdade de ensinar.
Os participantes protestaram contra medidas autoritárias do governo Celina Leão e do secretário de Estado de Educação do DF (SEEDF), Thiago Peixoto, dentre elas a censura a materiais do sindicato e a imposição de práticas pedagógicas sem diálogo com a categoria. A diretora do Sinpro Márcia Gilda destacou a participação de professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais, equipes gestoras e estudantes na mobilização.
Ela afirmou que o ato foi realizado em defesa da gestão democrática, do Currículo em Movimento e do projeto político-pedagógico construído a partir da realidade de cada território. “Nós estamos aqui em defesa da gestão democrática, do Currículo em Movimento, do projeto político-pedagógico da escola”, afirmou. Criticou a falta de diálogo do governo Celina Leão com o sindicato e denunciou a governadora.
“Ela se dirigiu à imprensa para questionar a realização do ato, mas não respondeu aos e-mails da entidade nem aceitou participar do debate promovido pelo Sinpro com candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF)”. Márcia Gilda também denunciou a cobrança de documentação a diretores de escolas para justificar a paralisação e afirmou: “Quem decide é o sindicato e esta categoria porque nós temos responsabilidade”, destacou.
Em seguida, a dirigente sindical ressaltou que a categoria realiza a reposição dos dias parados e cobrou respeito à educação pública do DF. Também chamou atenção para as condições de infraestrutura das escolas públicas.
Censura, autoritarismo e desvalorização da educação
O diretor do Sinpro Cleber Soares criticou a censura a materiais do sindicato e denunciou a política do governo Celina Leão para a educação pública. “A tentativa de censurar materiais do sindicato também integra esse contexto de autoritarismo e desvalorização da educação pública”, disse. No entendimento dele, a imposição de práticas pedagógicas sem diálogo com a categoria e a desvalorização dos profissionais do magistério demonstram o caráter autoritário da gestão, que relega a educação pública a um plano secundário.
Cleber criticou a negociação do empréstimo para salvar o Banco de Brasília (BRB) da fraude ocorrida na gestão Ibaneis Rocha-Celina Leão que envolveu o banco público no escândalo do Banco Master. O sindicalista disse que esse empréstimo feito pelo governo Celina Leão para socorrer o BRB não pode ocorrer à custa da categoria e alertou para o risco de congelamento dos salários por 15 anos.
O sindicalista disse que essa situação demonstra a intenção do governo de desvalorizar profundamente a escola pública e os profissionais do magistério. Para pagar a fraude bancária, o governo Celina vai relegar a educação pública a plano secundário. “A condição que ela se colocou para fechar este acordo foi de congelar os nossos salários por 15 anos”, afirmou.
O diretor do Sinpro Fernando Augusto destacou ainda a participação da categoria e do movimento estudantil na mobilização. Na opinião dele, a paralisação e o fechamento das escolas demonstraram o compromisso dos profissionais com a educação pública. “Os estudantes também compreendem a importância da luta por uma educação de qualidade, que exige valorização e investimento, e não censura nem autoritarismo”, afirmou.
Participantes da ação desta manhã cobraram diálogo do governo com o sindicato e negociação séria da pauta da categoria, dentre elas o Calendário Escolar de 2027 e o Concurso de Remanejamento, apontados pelo Sinpro como questões sem resposta do governo.
Intimidação e interferência nas escolas
O caso do Centro Educacional (CED) 06 do Gama, ocorrido nessa segunda-feira (19), também foi lembrado no contexto das denúncias de intimidação nas escolas públicas. A deputada distrital eleita e ainda não diplomada Estefane Sampaio (REPUBLICANOS) entrou na unidade escolar para intimidar o diretor Sebastião Júnior, o Tião, e a equipe docente. Com uma equipe de cinegrafistas amadores, ela filmou todo mundo sem autorização, agrediu professores e gestores. A ação foi denunciada como uma tentativa de intimidação dos profissionais e de interferência no cotidiano escolar.
Os deputados distritais reeleitos Gabriel Magno (PT) e Reginaldo Veras (PV) também mencionaram o episódio durante o ato, informaram que eles tomaram providências jurídicas e criminais contra a parlamentar e a ação autoritária que ela promoveu na escola. Também reforçaram a preocupação com o respeito à autonomia da escola e aos profissionais da educação.
Ambos destacaram que esse caso evidencia a importância de garantir que as unidades escolares desenvolvam suas atividades sem intimidação ou interferência político-partidária, preservando o diálogo, a pluralidade e a gestão democrática.
Vários participantes pediram a palavra para denunciar as insistentes ameaças de processos administrativos, a falta de diálogo com as comunidades escolares e as medidas que restringem a autonomia pedagógica e a atuação sindical nas escolas.
Denúncias sobre militarização e condições de ensino
Durante a manifestação, participantes relataram outras situações que consideram graves na educação pública. Dentre elas, denúncias sobre a presença de policiais militares em salas de aula de escolas militarizadas do DF para pedir votos para Flávio Bolsonaro. Outro problema denunciado foi a falta de vagas em creches no Distrito Federal.
Manifestantes disseram que a propaganda eleitoral de Celina Leão mente quando diz que ela zerou as filas para as creches públicas. As denúncias reforçaram a cobrança por investimentos financeiros, melhores condições de trabalho e valorização dos profissionais da educação, em vez de medidas de imposição e controle sobre as comunidades escolares.
Mobilização em defesa da escola pública
O diretor do Sinpro Samuel Fernandes criticou a falta de diálogo e o autoritarismo na condução da política educacional. Ele afirmou que a categoria não vai aceitar autoritarismo. Ao denunciar a precariedade das escolas públicas, Samuel citou o desabamento do teto de uma sala de aula da Escola Classe 06 do Paranoá, ocorrido nessa terça-feira (20).
“Essa é a realidade de muitas escolas que estão caindo aos pedaços pelo abandono desse governo”, afirmou. O diretor também criticou a superlotação das salas de aula, o adoecimento dos profissionais e o descaso com as condições de trabalho. Ele reafirmou que o ato buscou cobrar diálogo, combater o autoritarismo e exigir melhorias na educação pública.
Ato unificado
A mobilização contou ainda com a participação de representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) e do presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, que relacionou o protesto à resistência dos trabalhadores da educação.
A presença de estudantes e de entidades de diferentes segmentos reforçou o caráter unificado do protesto. O Sinpro denunciou a tentativa de desmobilizar uma manifestação que expressa a resistência da categoria às medidas autoritárias do governo Celina Leão nas escolas, o desmonte da política pedagógica para recuperar, em 2 meses, a nota ruim que o DF tirou no Ideb, e a cobrança por diálogo efetivo com as comunidades escolares.
O sindicato afirma ainda que as políticas educacionais precisam ser construídas com diálogo, participação da comunidade escolar e respeito à autonomia dos profissionais. A defesa da gestão democrática, da liberdade de ensinar e de uma educação pública de qualidade marcou a manifestação.
