Grito dos Excluídos reúne mais de 500 pessoas em BSB por paz, moradia,  mulheres vivas e soberania

 

Nessa segunda-feira (7), Dia da Independência do Brasil, a Praça Zumbi dos Palmares, no Setor de Diversões Sul (SDS), em Brasília, foi ocupada por mais de 500 pessoas que participaram da 32ª edição do Grito das Excluídas e Excluídos e reivindicaram direitos, justiça social, democracia e soberania nacional. Este ano, o Grito teve como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”

O Sinpro participou da mobilização, ao lado de movimentos sociais, organizações populares, sindicatos e entidades que atuam na defesa dos direitos da população. O ato reuniu moradores em situação de rua, povos indígenas, trabalhadoras domésticas, professores, estudantes e representantes de diferentes movimentos sociais. O diretor do Sinpro e coordenador da Secretaria para Assuntos de Políticas Sociais, Fernando Augusto, disse que a mobilização reafirmou a importância de dar visibilidade a grupos historicamente invisibilizados.

“O Grito dos Excluídos dá voz a grupos que muitas vezes não são ouvidos pela sociedade. Reunir moradores de rua, povos indígenas, trabalhadoras domésticas, estudantes e tantos outros segmentos, tendo como uma das principais pautas a defesa da vida e dos direitos das mulheres, mostra a força e a importância desse movimento”, afirmou.

Na avaliação dele, a participação de mais de 500 pessoas, em uma data tão simbólica para o país, reforça o caráter de luta da mobilização. “O Sinpro está sempre na luta pelas pautas sociais e pelos movimentos sociais, porque entendemos que essa participação ajuda a construir uma sociedade melhor, mais digna e mais igualitária”, destacou.

Mulheres, moradia, soberania e BRB 

A defesa da vida das mulheres esteve entre um dos principais eixos desta edição do Grito dos Excluídos em Brasília. Representantes de movimentos feministas denunciaram a violência de gênero, o feminicídio, a sobrecarga das mulheres com o trabalho de cuidado, baixos salários, além de defenderem igualdade, dignidade e políticas públicas que garantam condições para que mulheres e crianças tenham uma vida segura. A Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas levou à praça a denúncia da exploração e da precarização do trabalho doméstico, majoritariamente realizado por mulheres negras.

A situação habitacional também ganhou destaque nesta edição. Representantes de movimentos de moradia denunciaram o abandono de famílias removidas de áreas vulneráveis do Distrito Federal e reivindicaram políticas públicas capazes de garantir o direito constitucional à moradia. A comunidade Fazendinha, no Sol Nascente, foi lembrada durante o ato como exemplo da ausência de políticas habitacionais e da situação de mulheres que, sem moradia e sem rede de apoio para cuidar dos filhos, enfrentam ainda mais dificuldades para garantir o sustento da família.

A defesa da soberania nacional também marcou os discursos. O contexto eleitoral foi apontado por diferentes lideranças como decisivo para os rumos do país. Diretora do Sinpro e da CUT-DF, Thaísa Magalhães destacou a importância da mobilização popular e da defesa da democracia. “A gente não pode deixar escapar essa chance da manutenção da vida, da manutenção da paz”, afirmou. Ela destacou que o momento que o país vive hoje ultrapassa uma simples disputa eleitoral e envolve muita mais a defesa da democracia, da soberania nacional e, consequentemente, da própria possibilidade de construção de um projeto de sociedade.

Thaísa ressaltou que as desigualdades nas periferias não podem ser dissociadas das disputas políticas e sociais. “A gente não está vivendo um processo eleitoral normal: a gente está vivendo um processo de plebiscito”, afirmou. Ela destacou a mobilização pela defesa intransigente da democracia e da soberania do Brasil. O presidente do Sindicato dos Bancários, Rodrigo Britto, lembrou que o Grito dos Excluídos do DF trouxe traz o diálogo sobre o Banco de Brasília. “O BRB é um patrimônio do povo do DF e o Grito chegou fazendo a defesa do BRB e denunciando a gestão de Ibaneis e Celina, que é responsável por essa crise dentro do banco”.

O ato também defendeu o meio ambiente e a soberania nacional no âmbito dos recursos naturais. O Núcleo de Ecologia Integral de Brasília apresentou uma carta de compromisso com a ecologia integral, estruturada em propostas para as áreas agrícola e fundiária, urbana e de resíduos, justiça climática e proteção das vítimas, além da preservação da nascente de Águas Emendadas e do bioma Cerrado.

A programação contou ainda com uma homenagem póstuma ao professor Daniel Higino, militante do PT-DF e integrante da coordenação da Rede de Mobilização Popular Paz e Esperança. Professor e servidor da Secretaria de Educação (SEEDF), ele foi lembrado por sua trajetória de compromisso com a construção do Grito dos Excluídos em Brasília e com as lutas sociais.

Um grito que ecoou pelo Brasil 

A 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas levou manifestações às ruas de mais de 50 cidades, em todas as regiões do país. Realizado desde 1995, o movimento ocupa o 7 de Setembro, Dia da Independência, para questionar uma ideia de independência que ainda convive com desigualdades profundas e para dar visibilidade às reivindicações de quem permanece à margem dos direitos sociais. Este ano, as mobilizações defenderam moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), combate ao feminicídio, enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia, além do fim da escala 6×1. (Agência Brasil)

De São Paulo ao Rio de Janeiro, de Brasília a Manaus, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Cuiabá, os atos reuniram movimentos populares, sindicatos, pastorais, igrejas e organizações da sociedade civil. As manifestações tiveram em comum a defesa da vida, da democracia, da soberania nacional e de direitos fundamentais como terra, trabalho e moradia. O Grito deste ano reafirmou, assim, que a independência celebrada em 7 de Setembro ainda precisa se transformar em liberdade concreta para milhões de brasileiras e brasileiros. (Agência Brasil)

 

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