Sinpro realiza formação sobre diversidade sexual e de gênero a escola onde aluna trans sofreu agressão
Uma escola democrática e inclusiva passa, necessariamente, pela formação de seus(as) trabalhadores(as). Nesse sentido, o Sinpro realizou debates sobre a diversidade sexual e de gênero no Centro Educacional 02 (CED 02) de Taguatinga, onde uma estudante trans foi agredida por duas adolescentes. A formação aconteceu na terça-feira (25/8) e nesta quinta-feira (27/8), nos três turnos.
O objetivo foi oferecer ao corpo docente do CED 02 subsídios teóricos e metodológicos, além de práticas pedagógicas, para fortalecer o enfrentamento ao preconceito e à discriminação no ambiente escolar.
A ação faz parte do Circuito Permanente de Formação da Secretaria de Assuntos de Raça e Sexualidade do Sinpro. Ao longo dos anos, a Pasta tem realizado diversas atividades sobre o tema, como a formação continuada nas escolas, a organização do Coletivo LGBTQIAPN+, o Piquenique no Eixão, Seminário e rodas de conversa, entre outras iniciativas.
Para o professor e pesquisador, Anderson Neves, o trabalho desenvolvido pelo Sindicato é estratégico para a construção de escolas mais respeitosas e acolhedoras.
“A escola pode ser um espaço de acolhimento, respeito e garantia de direitos. Para isso, as questões relacionadas à diversidade sexual e de gênero precisam estar presentes nas propostas curriculares e ser operacionalizadas no cotidiano escolar, como parte do compromisso de combater o ódio. Falar sobre essas questões e promover práticas que valorizem as diferenças é, sobretudo, contribuir para a construção de uma escola para todas as pessoas”, afirmou Anderson Neves.

Atuação do Sinpro
Em resposta ao episódio, o Sinpro atuou com prontidão, articulando ações de curto, médio e longo prazo. O Sindicato também seguirá acompanhando a escola e contribuindo para a construção de iniciativas voltadas ao fortalecimento de uma cultura de paz, respeito e inclusão.
“A formação das(os) profissionais da educação é fundamental para que a escola seja, de fato, um espaço de promoção dos direitos humanos e de transformação social. O enfrentamento à LGBTfobia e às demais formas de opressão exige conhecimento, reflexão e uma formação permanente. É nesse sentido que o Sinpro tem atuado’, disse o diretor do Sinpro João Macedo.
Cultura de paz
A agressão contra a aluna trans vai contra o projeto educacional defendido pela gestão escolar e pelo corpo docente, que têm como princípios a inclusão e a diversidade.
De acordo com a diretora do CED 02 de Taguatinga, Elisângela Ferreira, antes mesmo do ocorrido, a escola já desenvolvia uma série de ações voltadas à resolução de conflitos, ao respeito à pluralidade, à empatia e ao acolhimento.
Diante da agressão, o Centro de Ensino manteve a mesma postura: acolheu e prestou todo atendimento necessário à vítima, garantindo a continuidade do processo de ensino-aprendizagem. As famílias das demais estudantes envolvidas também receberam suporte.
Segundo Elisângela, a escola também planeja desenvolver ações de letramento de gênero com os estudantes do CED 02 de Taguatinga. “Queremos fortalecer as relações interpessoais na escola e reafirmar que o respeito é inegociável. Essas ações são fundamentais para construirmos e restaurarmos um ambiente de convivência respeitosa e justa, e o apoio do Sinpro é essencial nesse caminho”, disse Elisângela Ferreira.
Mais profissionais nas escolas
Para o diretor do Sinpro Alberto Ribeiro, o caso também evidencia a necessidade de ampliar o quadro de profissionais nas escolas do DF e de garantir condições adequadas para prevenir e enfrentar situações de violência no ambiente escolar.
“É preciso discutir as condições concretas para garantir a segurança e o acolhimento de estudantes e trabalhadores(as). As escolas precisam de uma estrutura adequada e de profissionais suficientes para prevenir situações de violência e atuar quando elas acontecem. Não é possível transferir essa responsabilidade apenas para os(as) educadores(as) que já enfrentam sobrecarga no cotidiano escolar”, afirmou Alberto.
