Coletivo de Formação da CNTE debate cenário sociopolítico do Brasil e do mundo

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou a segunda reunião virtual do Coletivo de Formação, em 9 de julho. Dirigentes da entidade e secretários/as de formação dos sindicatos filiados em todo o Brasil participaram para discutir o cenário sociopolítico atual, no contexto nacional e internacional. O coordenador do Setorial Nacional de Educação do PT e ex-presidente da CNTE, Carlos Abicalil, foi convidado a conduzir a roda de diálogo sobre o tema.

Na abertura, o secretário-geral da CNTE, Fábio Moraes, ressaltou a importância da formação em cenários tão desafiadores quanto o atual para a classe trabalhadora.

“A gente precisa investir muito em formação, no nosso movimento sindical e de forma geral. Acho que um grande desafio do movimento é fortalecer o processo de formação da nossa militância e formação dos novos que estão chegando, porque muitos vieram de uma história diferente e não conheceram os momentos de luta”, comentou Fábio.

O secretário-geral falou ainda sobre as últimas articulações da entidade frente às autoridades públicas: “Acho que o nosso primeiro grande desafio como gestão foi o Piso. No Supremo, nós conseguimos garantir que os temporários do Brasil inteiro tenham direito ao piso do magistério. Passamos por momentos dificílimos, e a CNTE se destacou na luta pela democracia, pela soberania, com participação das lutas gerais, como o fim da escala 6×1. Então, nós tivemos um primeiro semestre extremamente intenso, muito potente”.

Instabilidades globais

Abicalil iniciou a apresentação parabenizando a participação da CNTE na audiência pública contra as escolas cívico-militares e nas mobilizações em prol da classe trabalhadora de forma ampla, não apenas das questões que dizem respeito aos profissionais da educação.

“A CNTE têm se posicionado com contundência em muitas pautas, algumas das quais, inclusive, não interferem diretamente no caso de servidores públicos, como é o fim da escala 6×1. A  maioria de nós já não trabalha na escala 6×1, mas ela se constituiu como uma pauta fundamental para a classe trabalhadora e a CNTE se associa decisivamente nessa luta unitária também, honrando o nosso compromisso de classe”, disse Abicalil.

Na sequência, deu início à palestra “Análise de Conjuntura Internacional/Nacional e as Perspectivas Eleitorais no Brasil para o Pleito de 2026”. Abicalil explicou que o mundo vive hoje uma instabilidade na harmonia de convivência internacional, que é intensificada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas cuja origem o antecede.

“Depois do chamado consenso de Washington [em 1989], que implementou o neoliberalismo com alteração dos mercados globais, que descola a produção da moeda da produção de riqueza, as relações internacionais deixam de ter como parâmetro fundamental aquilo que é fundamento da Organização das Naçõe Unidas, que é caminhar na direção da superação de desigualdades”, apontou.

“O governo brasileiro desde o ano de 2000 denunciava algumas iniciativas e reclama pela reestruturação das condições de funcionamento da governança global através do principal organismo que agrega o maior número de nações, que é a Organização das Nações Unidas, e do conjunto de organizações temáticas, entre as quais está a Organização Internacional do Trabalho. O objetivo era dar prosseguimento a acordos internacionais que regram as relações e compromissos de cada uma das nações signatárias no conjunto das atividades que envolvem interesses econômicos, soberania, progressão e defesa de direitos das pessoas e direitos humanos”, prosseguiu.

Abicalil destacou que essa fragilização das entidades internacionais acelera a desestabilização do planeta, que abre espaço para a realização de conflitos financiados pelas nações dominantes, como é o caso do Irã e de Israel, e as tentativas de intromissão dos Estados Unidos nos países latino americanos.

O palestrante deu seguimento à reunião ao abordar os impactos da crise climática, que afeta sobretudo a classe trabalhadora: “Nós estamos assistindo no planeta inteiro, ciclicamente, desastres ambientais que atingem reiteradamente as populações mais vulneráveis, seja no campo, seja na cidade, destruindo não só patrimônio, mas também pessoas e vidas, desejos e sonhos, perspectivas em territórios inteiros, como foi recentemente o caso do Rio Grande do Sul”.

Para Abicalil, todos esses movimentos, e também a ampliação da tecnologia, da inteligência artificial e de sistemas de inteligência de dados, podem causar efeitos nas eleições do Brasil em 2026.

“Esses conflitos têm origens históricas diversas, evidentemente, mas se agregam, se arranjam no momento atual de fato representando um grande risco para práticas da democracia, para a soberania das nações e para a ampliação do direito humano das pessoas, do direito à natureza, à vida, à igual dignidade, independente da sua condição financeira, de raça, de origem, ou de proclamação da sua fé”, disse.

Nesse sentido, cabe aos brasileiros eleger um congresso, deputados estaduais, senadores e chefes do executivo estadual e federal comprometidos com a classe trabalhadora e na defesa dos interesses do povo.

Encaminhamentos 

Abicalil sugeriu que a CNTE promova uma capacitação profunda para os temas atuais, como a influência das redes sociais e a retirada de direitos dos profissionais da educação. Sindicalistas participantes também comentaram ideias para desenvolver a atuação do coletivo.

O secretário de Formação da entidade, Gean Carlos, afirmou que levará a ideia à presidenta da CNTE, Fátima Silva: “A gente quer ver se ainda esse ano a gente faz esse programa, para 2027 a gente ter um programa de formação com esses temas que você muito bem elencou, essa questão das redes sociais, dessa nova geração do trabalho”.

A secretária de Assuntos Educacionais do Sindeducação (MA), Rosiane Veloso, trouxe reflexões sobre o papel dos educadores na deconstrução do cenário de polarização política e, enquanto sindicato, da melhor interação com a população.

“Quando a gente escuta as experiências de todos os sindicatos, a gente percebe o quanto os sindicatos estão preocupados com a formação, mas parece que essa formação não chega. Tenho um entendimento de que a gente peca na comunicação, precisamos de estratégias para se comunicar não só com a categoria, mas com a sociedade”, disse.

A próxima reunião do Coletivo será realizada após as eleições, ainda neste ano, no formato virtual.

Fonte: CNTE