Professora aposentada do DF recebe menção honrosa em Lisboa com conto sobre velhice e literatura
A literatura produzida no Distrito Federal acaba de cruzar o Atlântico e conquistar reconhecimento internacional. A escritora brasiliense Lúcia Boonstra, professora aposentada da Secretaria de Educação do DF (SEEDF), recebeu menção honrosa especial no renomado Instituto Camões, em Lisboa, no dia 11 de junho.
A distinção foi concedida pelo concurso internacional promovido pela Rede Sem Fronteiras, que premiou o seu conto “A porta entreaberta”, obra que reflete sobre a invisibilidade na velhice e o poder de resgate por meio dos livros.
A obra foi publicada de forma independente e marca uma transição madura na carreira da autora, que já possui três livros infantis publicados.
Desta vez, a escritora deixa o universo infantil para fazer um mergulho profundo no psicológico do cotidiano. A Pedra e o Vento reúne contos realistas que flertam sutilmente com o insólito, revelando as fissuras, as estranhezas e as complexidades de situações universais: o luto, os sonhos reprimidos, as exigências sociais e os laços familiares.
Em “A porta entreaberta”, o público acompanha a jornada de uma personagem que vivencia o doloroso processo de se tornar invisível para a sociedade com a chegada da velhice. É no encontro com a literatura que ela encontra o seu refúgio, sua voz e seu resgate, traçando um paralelo poético com a própria crença da autora no poder transformador da escrita e da leitura.
Para a autora, receber esse reconhecimento em Portugal consolida uma trajetória inteiramente dedicada às letras — primeiro nas salas de aula de Brasília, formando novos leitores, e agora tocando o público adulto com narrativas profundas e provocativas.

