Exposição ‘Letra&Cor’ convida o público a desacelerar e reatar o vínculo com a natureza

Em meio ao ritmo acelerado das cidades, à poluição sonora e à sobrecarga de estímulos, uma exposição brasiliense propõe o oposto: parar, respirar e contemplar. Batizada de “Letra&Cor – Habitar a paisagem: outras formas de com TATO”, a mostra é um convite à experiência sensorial e à reconexão com o mundo natural. A exposição estará aberta até o dia 10 de julho, no Espaço Cultural da Biblioteca Central da UCB.

Inspirada no conceito de biofilia — termo cunhado pelo biólogo americano Edward O. Wilson em 1984, que significa “amor às coisas vivas” —, a exposição transcende o olhar meramente estético. A aproximação com a natureza acontece para além do aspecto visual; ela pede a experiência, o contato.

A frase que norteia a mostra resume sua essência: “Quem tem pressa não aprecia”. A proposta é que o visitante olhe devagar, com tato e para dentro, reconstruindo-se por meio da arte.

 

Duas artistas, uma só poética

Desde 2022, a escritora Ester Chaves e a artista plástica Jusci Silva unem seus talentos nessa parceria criativa.

Jusci Silva, formada em Artes pela Fundação Brasileira de Teatro e pós-graduada em Artes Plásticas Aplicadas, foi professora de Educação Artística da rede pública do Distrito Federal por 25 anos. Em suas obras, ela vincula elementos naturais aos artísticos por meio da pintura orgânica abstrata — tendência moderna surgida no final do século XX. Formas fluídas, curvas suaves e impressões botânicas sugerem movimento e leveza. “Homem e natureza coadunam-se numa só existência”, afirma o texto da mostra.

Já Ester Chaves, graduada em Letras e pós-graduada em Literatura Brasileira pela Universidade Católica de Brasília (UCB), é escritora, colunista e atuante na cena cultural da capital. Em 2016, venceu o Prêmio Vip de Literatura com o conto “Os voos de Josué”. Na exposição, ela busca em revistas antigas os materiais para “vislumbrar outras irrealidades”, desconstruindo, recortando e refazendo — numa transgressão do tempo e do espaço.

 

Um resgate delicado

A exposição, que já passou por espaços como o Museu dos Correios e a Universidade Católica de Brasília, apresenta-se como um antídoto ao frenesi contemporâneo. “As formas que bailam em tons suaves resgatam o mais profundo desejo que há em nós: o de pertencer ao lugar que se vive em toda a sua inteireza, sem cortes, sem interrupções”, resume o material de divulgação.

Com técnicas mistas e um olhar poético sobre o habitar, “Letra&Cor” não é apenas uma mostra de arte — é uma pausa necessária. E um lembrete de que, às vezes, o gesto mais revolucionário é simplesmente parar e olhar devagar.