CLDF aprova acordo e transfere à população a conta da crise do BRB-Master

Mesmo diante dos alertas sobre os impactos para a população e para o funcionalismo público do DF, 11 deputados(as) distritais votaram a favor da destruição dos serviços públicos. A votação validou, em primeiro turno, o Projeto de Lei que autoriza o governo Celina-Ibaneis a contrair um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para tentar cobrir o rombo causado pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

O acordo foi firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) e limita investimentos em áreas como educação, saúde, segurança pública e assistência social por até 15 anos.

Votaram sim os(as) deputados(as) Eduardo Pedrosa (União), Hermeto (MDB), Iolando (MDB), Jaqueline Silva (MDB), Joaquim Roriz Neto (PL), Martins Machado (Republicanos), Pastor Daniel de Castro (PP), Pepa (PP), Robério Negreiros (Podemos), Rooselvet Vilela (PL) e Wellington Luiz (MDB).

Já os(as) parlamentares Chico Vigilantes (PT), Dayse Amarílio (PSB), Fábio Felix (Psol), Gabriel Magno (PT), Jorge Vianna (Democrata), Max Maciel (Psol), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Vale (PT) e Rogério Morro da Cruz (PSD) votaram contra a medida.

 

“Os mesmos parlamentares que aprovaram a compra do Banco Master sem a devida transparência e sem informações suficientes para a sociedade são os que agora autorizam um aporte bilionário para tentar conter os impactos de uma crise criada pelo próprio governo Celina-Ibaneis”, disse a diretora do Sinpro Márcia Gilda.

Para a sindicalista, a medida transfere para a população o custo de decisões equivocadas da gestão Celina-Ibaneis. “Esse endividamento compromete a capacidade de investimento do Distrito Federal, restringe recursos para áreas prioritárias e afeta diretamente a qualidade dos serviços públicos e a valorização dos(as) servidores(as)”, afirmou.

Escolha política

Desde o início das investigações sobre o caso, o Sinpro alertava que o rombo causado pelo Banco Master ao BRB, com aval do então governador Ibaneis, resultaria em prejuízos imensuráveis à população e aos(às) servidores(as).

Segundo apuração da Polícia Federal e do Ministério Público, entre 2024 e 2025, o BRB injetou mais de R$ 16,5 bilhões no Master. Desse total, cerca de R$ 12 bilhões corresponderam à compra de carteiras de crédito falsas. Ao mesmo tempo, o governo Celina-Ibaneis alegou não ter recursos para atender às demandas da categoria do magistério.

O escândalo trouxe preocupações em relação ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev). Como detentor de quase 13% das ações do BRB, o Instituto expõe a riscos os recursos destinados às aposentadorias e pensões dos(as) servidores(as).

O GDF Saúde — administrado pelo Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do DF (Inas-DF) — também enfrentou graves problemas. O convênio, uma conquista histórica dos(as) servidores(as), se transformou em motivo de preocupação para milhares de beneficiários, devido a sucessivas dificuldades operacionais.

“Primeiro, bilhões de reais foram direcionados para uma operação cercada de questionamentos. Agora, o governo quer contrair mais uma dívida bilionária para lidar com as consequências dessa mesma escolha. Essa é uma decisão política. Reforçamos que o problema não é o BRB, mas o governo Celina-Ibaneis. O BRB foi uma vítima da má gestão. Entretanto, o serviço público e a população não podem pagar essa conta”, afirmou Márcia Gilda.

Essa conta não é nossa

O ato com paralisação desta quinta-feira (11/6) está mantido. A mobilização é convocada pelo Sinpro, pela CUT-DF e demais entidades sindicais e tem o objetivo de dar uma resposta coletiva ao ataque aos serviços públicos e aos direitos dos(as) servidores(as).

“Diante da aprovação do PL na CLDF, é fundamental que toda a categoria compareça na mobilização. Precisamos fortalecer ainda mais esse ato e deixar claro que essa conta não é nossa”, concluiu Márcia.