Audiência pública debate crise do Inas e aponta responsabilidade do GDF
A crise do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal (INAS) foi criada e gerida pelo GDF. Foi o que afirmou a diretora do Sinpro Élbia Pires em audiência pública na Câmara dos Deputados. O debate sobre a situação do órgão aconteceu nessa terça-feira (2/6) e foi proposto pela deputada federal Érika Kokay (PT-DF).
O Inas foi criado em 2006 para gerir o plano de saúde dos servidores públicos do DF — o GDF Saúde — mas só passou a funcionar em 2020. Fruto da luta do funcionalismo público distrital, o instituto nasceu com o objetivo de garantir acesso à saúde de qualidade aos servidores e seus dependentes. No entanto, problemas de gestão e sucessivas dificuldades operacionais transformaram uma conquista histórica em motivo de preocupação para milhares de beneficiários.
Durante a audiência, representantes dos servidores do DF relataram problemas como cancelamentos de consultas, demora na autorização de exames e cirurgias, recorrente redução da rede credenciada, além da falta de transparência nos gastos de coparticipação.

Para Élbia, que também integra o Conselho de Administração do Inas como representante titular, essas dificuldades tiveram início quando o GDF deixou de repassar a cota patronal para o Instituto entre 2021 e 2023, gerando um déficit financeiro.
“Esse desequilíbrio, muitas vezes, foi repassado para a gente — beneficiários — de forma indireta por meio do aumento anual de mensalidades”, disse a sindicalista.
De acordo com a diretora do Sinpro, existem caminhos para resolver a crise do Inas que não passam pelo sacrifício dos servidores públicos do DF. “O GDF pode ampliar, por exemplo, a cota patronal de 2% para 2,5%, como mostrou o próprio Inas em estudo atuarial. O que falta é vontade política”, finalizou.
A audiência pública deliberou uma série de medidas visando melhorias aos usuários. Entre os encaminhamentos estão a criação de uma comissão unificada das entidades representativas dos servidores e a realização de reuniões com a direção do INAS e com a Defensoria Pública.
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