Educadores brasileiros se solidarizam com mobilizações populares do povo boliviano

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Os/as trabalhadores/as em educação de todo o país manifestam o seu irrestrito apoio e solidariedade às trabalhadoras, aos trabalhadores, camponeses, mineiros, educadores e educadoras, movimentos sociais e comunidades indígenas da Bolívia que, com coragem histórica, ocupam as ruas de La Paz e as estradas de todo o país na exigência legítima da renúncia do presidente Rodrigo Paz e pelo fim imediato das medidas antipopulares que assolam a nação.

A Bolívia vive hoje sua pior crise socioeconômica em quatro décadas. Após assumir o poder em novembro de 2025, o governo de Rodrigo Paz impôs ao país uma receita destrutiva de ajustes neoliberais radicais, simbolizada pelo nefasto Decreto Supremo 5503. Sob a falsa justificativa de “responsabilidade fiscal”, o Executivo abriu as portas para a privatização de recursos estratégicos, promoveu a desregulamentação da economia e desferiu um golpe brutal contra as famílias bolivianas ao extinguir os subsídios aos combustíveis.

As consequências dessa política entreguista e tecnocrática são dramáticas e cotidianas: inflação galopante e carestia fez o custo de vida disparar, corroendo o poder de compra e esvaziando a mesa da classe trabalhadora. O desabastecimento crônico de combustíveis promove filas quilométricas que tomaram as cidades, agravadas pelo escândalo da importação de combustíveis adulterados, que paralisa o setor de transportes. A falta de alimentos e insumos básicos iniciou um desabastecimento tão generalizado nas cidades que atinge os mercados populares e sufoca a subsistência do povo.

Diante do caos, o atual governo neoliberal escolheu a via da truculência, utilizando as forças de repressão do Estado para tentar calar as mobilizações que tomam conta do país. Centenas de detenções e episódios de violência policial vêm sendo orquestrados na vã tentativa de conter a indignação popular liderada pela Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas, indígenas, educacionais e demais setores populares.

A heroica resistência do povo boliviano nas ruas — que paralisa o país e sitia a capital em defesa de sua dignidade — representa muito mais do que um basta local ao governo de Rodrigo Paz. A vitória iminente das mobilizações populares bolivianas carregará um significado geopolítico profundo para todo o continente: sinalizará uma inflexão histórica e o esgotamento dos governos de direita e extrema-direita que tentam se reinstalar na América Latina.

A lição que vem das ruas de La Paz reafirma a resistência ao projeto de submissão ao capital internacional, de desmonte dos direitos sociais e de alinhamento com interesses imperialistas não se sustenta diante da soberania dos povos organizados. A luta boliviana acende uma chama de esperança para toda a região, provando que o destino da América Latina pertence ao povo e às suas maiorias plurinacionais.

Todo apoio à greve geral e aos bloqueios populares na Bolívia! Pelo fim da repressão e respeito à soberania popular! Viva a unidade dos povos latino-americanos!

Brasília, 20 de maio de 2026

Direção Executiva da CNTE