Greve da educação de BH chega a quase 20 dias, com crítica à falta de diálogo

A greve dos trabalhadores concursados da rede municipal de educação de Belo Horizonte completou, nesta quarta-feira (13), 17 dias consecutivos. A paralisação teve início em 27 de abril e, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), ocorre em meio ao agravamento das condições de trabalho e à ausência de negociações efetivas com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).
Em assembleia realizada na segunda-feira (11), cerca de mil profissionais se reuniram na Praça Afonso Arinos, na região central da capital, e decidiram manter a mobilização. A categoria atribui ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil) e à secretária municipal de Educação, Natália Araújo, a responsabilidade pelo impasse nas negociações.
“Estamos há duas semanas tentando estabelecer um canal de diálogo, mas o que recebemos de Damião e Natália é silêncio. Exigimos respeito à carreira de quem passou em um concurso público e quer condições dignas para trabalhar”, afirmou a diretoria colegiada do Sind-REDE/BH, em nota.
Entre as reivindicações da categoria estão a recomposição salarial, melhoria das condições de trabalho, contratação de profissionais e cumprimento de acordos anteriores. Os trabalhadores também denunciam falta de profissionais nas escolas, cortes de até 50% nas verbas da educação, terceirização do trabalho docente na educação infantil e privatização do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
O sindicato avalia que o cenário pode provocar um “apagão” na educação pública municipal. “Lutar pela valorização dos trabalhadores em educação é defender a educação pública”, destacou a entidade.
Críticas à jornada de 6 horas
Outro ponto de tensão envolve a publicação da Portaria SMED nº 124/2026, que institui jornada de seis horas em turno único para professores da educação infantil. Em nota, o Sind-REDE/BH classificou a medida como uma tentativa de precarização do trabalho docente e acusou a prefeitura de tentar dividir a categoria durante a greve.
Segundo o sindicato, a proposta impõe uma rotina “massacrante”, com apenas 15 minutos de pausa durante as seis horas de atuação em sala. A entidade também critica a retirada do planejamento pedagógico do ambiente escolar, ao transferir parte das atividades para fora da unidade de ensino.
“A educação não se faz sozinho em casa. Se faz no debate, na troca com os pares, na construção pedagógica conjunta”, afirmou o Sind-Rede.
Após questionamentos da entidade, a prefeitura recuou em um dos pontos da portaria relacionados aos profissionais com dois vínculos, garantindo que trabalhadores que não aderirem à jornada não serão considerados excedentes.
Novas mobilizações
A categoria já convocou uma nova assembleia de greve para quinta-feira (14), às 14h, na Praça Afonso Arinos. Na pauta estão a avaliação da paralisação e a definição do calendário de mobilizações.
Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que uma equipe técnica foi designada para dar continuidade às negociações com os sindicatos. A administração municipal afirmou ainda que adotou medidas de valorização dos profissionais da educação, além de ter realizado a nomeação de mais de 3,1 mil professores entre 2024 e 2026. A PBH também declarou que estuda a realização de um novo concurso público para a área da educação.
Editado por: Ana Carolina Vasconcelos
Fonte: CUT
