CNTE participa de agenda da IEAL por direitos e educação pública na América Latina

Entre os dias 19, 20 e 21 de abril, integrantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estiveram presentes na reunião ordinária da Internacional da Educação para a América Latina (IEAL), na Costa Rica.
O encontro reuniu a direção da IEAL, lideranças sindicais e entidades filiadas para estruturar iniciativas do grupo, com o objetivo de fortalecer a defesa da educação pública e da democracia em todo o continente. Participaram em nome da CNTE o vice-presidente da IEAL, Roberto Leão, o vice-presidente da Internacional da Educação (IE), Heleno Araújo, e a presidenta da CNTE, Fátima Silva.
A partir de debates sobre os desafios da conjuntura internacional, também foram articuladas estratégias para ampliar o protagonismo do movimento sindical na construção de políticas educacionais e de sustentabilidade socioambiental.
“Foi um momento para socializar as ações da direção da IEAL e refletirmos juntos, para que possamos melhorar a nossa profissão e atuar para colocar em prática os direitos, a equidade e igualdade para todas as pessoas. Buscamos ampliar as ações para fortalecer a democracia, colocando em prática uma pedagogia da solidariedade, em busca de um planeta melhor para nós”, disse Heleno.
Leão ratificou a responsabilidade dos filiados em atuar em conjunto: “Resistimos e devemos continuar a resistir, formando alianças. Nosso trabalho é capacitar nossos membros para que possam participar efetivamente das assembleias e acessar dados públicos”.
Resultados
No primeiro dia de evento, o Comitê Regional da IEAL e o Comitê Executivo Mundial da IE apresentaram relatórios sobre as ações anteriores, como a missão na Palestina em janeiro de 2026. Na ocasião, autoridades israelenses impediram a entrada de uma delegação de líderes educacionais, incluindo integrantes da IEAL, no território palestino. A partir das informações expostas, a direção passou recomendações para os filiados.
O Comitê entende que é papel dos sindicatos filiados à IEAL e de todos os/as trabalhadores/as da educação adotar uma postura contundente em defesa da paz, do respeito à soberania dos povos e do rechaço a toda forma de imperialismo e violência. É preciso que se reafirme a defesa da democracia frente a qualquer tentativa de avanço de projetos autoritários ou fascistas, por meio da prática da pedagogia da solidariedade, conceito trabalhado por Paulo Freire.
Desafios atuais
A programação do dia 20 centrou-se na análise da conjuntura atual na perspectiva da democracia, liberdade sindical e direito à educação pública. Representantes de cada um dos países da América Central, da região dos Andes e do Cone Sul foram convocados para apresentar suas realidades.
No caso do Brasil, foi destaque o cenário de instabilidade institucional e polarização política. As dificuldades do Executivo em conseguir avançar com as agendas progressistas diante da oposição no Congresso Nacional, a concentração do poder de controle orçamentário no Legislativo e a crise de credibilidade do Judiciário impactam diretamente a organização da classe trabalhadora e o exercício da liberdade sindical no país.
Se a extinção da contribuição sindical obrigatória da reforma trabalhista de 2017 estabeleceu novos desafios para o financiamento das organizações, a decisão de contribuição assistencial do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema 935 trouxe reequilíbrio para as condições de sustento dos sindicatos.
Representantes brasileiros também divulgaram as prioridades da luta em nosso país: a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a regulamentação de trabalhos por aplicativo e combate à pejotização e precarização do trabalho. Integrantes de organizações de países da América do Norte e Europa apresentaram como convidados seus relatórios locais. México, Estados Unidos, Noruega, Finlândia, Canadá e Suécia foram objeto de análise.
Declaração da IEAL
Ao final, os presentes aprovaram uma nota com os principais pontos de atuação da IEAL.O texto, em espanhol, reafirma a necessidade de respeito aos direitos humanos e sindicais, convocando os governos a cumprirem com o investimento em educação, a institucionalizarem âmbitos de diálogo social que garantam a participação das organizações sindicais e a garantirem ambientes educativos seguros e livres de violência.
“Afirmamos energicamente que nenhum conflito justifica o ataque a escolas, universidades, estudantes e trabalhadores e trabalhadoras da educação. As escolas deixaram de ser espaços seguros e passaram a se tornar territórios vulneráveis, afetando de maneira direta as pessoas trabalhadoras da educação e o direito à educação de meninas, meninos e adolescentes”, manifesta a entidade na nota.
Confira neste link a declaração completa da IEAL.
Com informações da Internacional da Educação para a América Latina e CUT Goiás
Fonte: CNTE




