Dia do campo, Dia de luta

O dia 17 de abril foi instituído como o Dia Internacional das Lutas Camponesas e o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária (Lei nº 10.469/2002) em memória aos bárbaros assassinatos de vinte e um trabalhadores rurais no estado do Pará, em 1996. Esse trágico episódio ficou mundialmente conhecido como o Massacre de Eldorado dos Carajás.

Esses trabalhadores e trabalhadoras estavam em marcha pela reforma agrária, reivindicando o direito básico de homens e mulheres que vivem da terra de terem o seu próprio lugar para plantar e morar.

Hoje, trinta anos depois dessa tragédia anunciada, ainda é urgente e necessário marcharmos pelos direitos da classe trabalhadora do campo,  do povo que trabalha e vive nas áreas rurais deste país. O direito à terra é sagrado. Como bem disse Pedro Casaldáliga: Malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e amar”.

Durante este mês, em vários estados do país, ocorrem as mobilizações do “Abril Vermelho, lideradas pelo MST, para homenagear todos e todas que perderam a vida na linha de frente por justiça e por terra. E também para intensificar a luta por reforma agrária.

No Brasil, a terra permanece concentrada nas mãos de uma minoria que, historicamente, se apropriou dela de forma violenta, dizimando povos indígenas e explorando a mão de obra escravizada. Essa lógica de cinco séculos se agrava hoje com o modelo do agronegócio, que ameaça comunidades tradicionais, camponeses e povos originários, além de devastar as florestas, os rios e a sociobiodiversidade dos biomas brasileiros.

É fundamental reconhecer que são os trabalhadores e as trabalhadoras do campo que desempenham o papel vital de produzir os alimentos que abastecem, diariamente, as mesas de todo o país. O acesso à alimentação é um direito humano básico, e garanti-lo está diretamente ligado ao fortalecimento da agricultura familiar, o verdadeiro setor estratégico para o abastecimento do mercado interno. Como resume com precisão o lema histórico da categoria: “Se o campo não planta, a cidade não janta”

Portanto, o 17 de abril não é apenas uma data de reflexão e memória, mas um chamado à ação para garantir que as vozes do campo sejam ouvidas e seus direitos, respeitados.

Além da luta pela terra, a data marca também a defesa da Educação do Campo. No Distrito Federal, por exemplo, diversas escolas do campo promovem atividades para demarcar este dia, reivindicando não apenas condições dignas para a classe trabalhadora rural, mas também investimentos e melhorias reais para a educação de quem vive no campo.

Iolanda Rocha – Educadora Socioambientalista