Abril Verde destaca a importância da saúde mental coletiva no ambiente de trabalho

Neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) traz o tema “Juntos pela ciência”, em defesa de políticas públicas baseadas em evidências. Essa data comemorativa também dá início a uma série de campanhas de conscientização, entre elas a “Abril Verde”, que ao longo do mês destaca a importância da segurança e da saúde mental coletiva no ambiente de trabalho.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) reforça o alerta para uma realidade desafiadora: o adoecimento estrutural dos profissionais da educação. Para o secretário de Saúde dos(as) Trabalhadores(as) em Educação da CNTE, Alessandro Sousa Carvalho, essa situação está diretamente ligada às condições de trabalho. “Nossa profissão apresenta alta incidência de estresse crônico, ansiedade, depressão e síndrome de burnout, além de problemas físicos, como distúrbios osteomusculares e vocais, em grande parte associados à sobrecarga, à precarização, à gestão autoritária e à ausência de políticas institucionais voltadas à saúde docente”, avalia.
Diante desse contexto, o dirigente acrescenta que “é imprescindível enfrentar as causas do adoecimento e cobrar políticas públicas efetivas que garantam a promoção e a proteção da saúde física e mental de quem sustenta a educação no cotidiano da sala de aula”.
Dados da própria CNTE comprovam a gravidade da situação. Estudo divulgado no fim de 2021, “Novas formas de trabalhar, novos modos de adoecer”, realizado com 714 trabalhadores da educação, apontou que ansiedade, depressão e desesperança estão entre os distúrbios que mais acometem professores/as e funcionários/as da educação. Entre os danos físicos mais notificados estão problemas nas cordas vocais, distúrbios osteomusculares, lesão por esforço repetitivo e doenças do aparelho respiratório. Já nos danos psicológicos, destacam-se o estresse crônico, ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Os danos sociais que se sobressaíram relacionam-se a sobrecarga, hiperatividade, solidão por ausência do coletivo e assédio moral.
Em uma pesquisa mais recente, publicada em 2023 na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional por pesquisadores da UFMG e da Unimontes, foi apontada a predisposição ao aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) entre profissionais da educação básica. O estudo, aplicado em 745 trabalhadores de escolas públicas de Montes Claros (MG) em 2016, revelou que 60% dos entrevistados estavam insatisfeitos com o trabalho. Entre as mulheres, prevaleceram sintomas relacionados à saúde mental e ao desgaste psicológico; entre os homens, foram observados fatores de risco ligados a hábitos sedentários. Tabagismo, consumo abusivo de álcool, excesso de peso e comprometimento da saúde mental são os fatores de risco mais frequentes para DCNTs entre educadores insatisfeitos no trabalho.
Campanha Abril Verde e a atuação do MPT
Criada em 2014, a campanha Abril Verde faz alertas sobre saúde e segurança no trabalho e vem ganhando visibilidade, principalmente com o aumento do número de denúncias no Ministério Público do Trabalho (MPT) e ações na Justiça Trabalhista relacionadas a assédio moral e sexual, discriminação em todas as suas formas e a uma lista de doenças ocupacionais atualizada pelo Ministério da Saúde em 2023.
Voltada para a prevenção da saúde mental no trabalho, a campanha de 2026 recomenda treinamentos, palestras e o envolvimento ativo das chefias ou lideranças para que o trabalhador se sinta seguro e acolhido, com o objetivo de evitar crises de ansiedade ou descontrole emocional que interfiram no desempenho de suas funções.
Com base nesse cenário, o Ministério Público do Trabalho iniciou, neste ano, o projeto “Saúde Mental no Trabalho”, em ação que acontece em todos os estados. Neste ano, o MPT também destaca, dentro da campanha Abril Verde, os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde mental das trabalhadoras e dos trabalhadores. Segundo a Associação Americana de Psicologia, de 25% a 50% das pessoas expostas a um desastre climático têm risco de desenvolver problemas de saúde mental no trabalho.
A escolha do mês de abril está ligada ao dia 28, considerado o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho – data instituída em memória de 78 mineiros mortos em uma explosão nos Estados Unidos, em 1969, e reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Neste Dia Mundial da Saúde, a CNTE reforça seu compromisso na luta por condições dignas de trabalho e pela valorização dos profissionais da educação, cobrando que governos e instituições transformem a ciência e as evidências em políticas concretas de proteção à saúde física e mental de trabalhadores e trabalhadoras da educação básica em todo o país.
Com informações da Agência Brasil e Ministério Público do Trabalho
Fonte: CNTE
