UFES convida professores a participar da pesquisa sobre saúde mental no Ensino Médio
A participação de professores(as) pode ser decisiva para mudar os rumos da educação pública para melhor. Uma pesquisa investiga os impactos da reforma do Ensino Médio (Lei nº 13.415/2017) sobre o trabalho docente, as condições de ensino e a saúde mental da categoria — e depende diretamente das respostas dos(as) professores(as) da rede pública para produzir dados capazes de influenciar políticas educacionais e dar visibilidade à realidade vivida nas escolas.
Para participar, clique no link do questionário a seguir. Apenas professores(as) do Ensino Médio da rede pública devem responder ao questionário, com tempo estimado de resposta em 15 minutos:
Participação da categoria é essencial
Desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) com cooperação de várias universidades federais brasileiras e estrangeiras, o estudo intitulado “Trabalho docente, avaliação e saúde mental no contexto da atual reforma do Ensino Médio”, com coordenação geral da professora Eliza Bartolozzi Ferreira (Programa de Pós-Graduação em Educação da UFES), necessita da participação de professores(as) da rede pública estadual e do Distrito Federal para responder a um questionário que subsidiará análises sobre o Ensino Médio em diferentes unidades federativas do país. A iniciativa busca construir um diagnóstico consistente da etapa, com base na experiência concreta de quem está no cotidiano escolar.
Dentre os efeitos já identificados da reforma do Ensino Médio estão a redução de disciplinas tradicionais, a introdução de conteúdos que nem sempre dialogam com a formação dos(as) professores(as), a intensificação e precarização do trabalho docente e o avanço de processos de desprofissionalização da carreira. Também há impactos sobre o direito à educação pública de qualidade.
Impactos já identificados preocupam
A professora de Educação e membra pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Políticas Educacionais (Nepe) da UFES, Erineusa Maria da Silva afirma que a pesquisa já indica um cenário preocupante, com aumento de sintomas de esgotamento, sofrimento psíquico e, em alguns casos, afastamento ou desistência da profissão. Esse quadro estaria relacionado à intensificação do trabalho, às mudanças curriculares, à insegurança profissional e aos efeitos acumulados de transformações recentes, como o período da pandemia.
Diante do cenário, ela destaca a importância da adesão da categoria. “O objetivo é compreender como essas mudanças têm impactado a profissão e as condições de trabalho na rede pública de ensino. A hipótese central é que a reforma agravou problemas já existentes, especialmente no que se refere à saúde mental da categoria”.
Rede internacional de pesquisadores
O estudo reúne 26 pesquisadoras e pesquisadores de várias universidades do Brasil e de outros países, como EUA, Espanha, Argentina e França, em uma ampla rede internacional dedicada a analisar o trabalho docente, os processos de avaliação e a saúde mental no ensino médio, especialmente no contexto das mudanças impostas pela reforma, instituída pela Lei nº 13.415/2017.
“O projeto não é individual. Trata-se de um trabalho coletivo que envolve programas de pós-graduação em Educação, Política Social, Saúde Coletiva e outras áreas, articulados no Observatório de Políticas Públicas da UFES. A iniciativa conta com a colaboração de diversas instituições”, informa a professora. A pesquisa conta com a participação da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto Federal do Ceará (IFCE), Universidade Estadual do Pará (UEPA), Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), além de universidades internacionais, como Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha), Universidade de Strasbourg (França), Pennsylvania State University (EUA) e Universidade de Buenos Aires e Universidade Nacional de General Sarmiento (Argentina).
Diagnóstico para orientar políticas públicas
O recorte da pesquisa foca o Ensino Médio da rede pública por ser o espaço em que a reforma tem maior alcance e impacto direto, concentrando a maior parte dos(as) estudantes brasileiros(as). As respostas dos(as) professores(as) permitirão construir um diagnóstico consistente sobre o trabalho na etapa, produzir dados empíricos sobre saúde mental e condições de trabalho, além de subsidiar análises comparativas entre diferentes estados.
A pesquisadora afirma que a participação da categoria é fundamental para garantir que os dados reflitam a realidade vivida nas escolas pública do Distrito Federal. “Sem a contribuição da categoria, há o risco de análises distantes do cotidiano do trabalho docente”, alerta Erineusa. Além disso, a adesão fortalece a voz da categoria no debate público e contribui para a construção de políticas mais alinhadas às necessidades reais dos(as) profissionais.
Resultados podem influenciar decisões
A pesquisa também integra um esforço mais amplo de análise das políticas educacionais no Brasil e no cenário internacional, considerando os impactos de reformas recentes, mudanças no mundo do trabalho e transformações na organização escolar, intensificadas após a pandemia. Ao final, os resultados devem gerar sínteses científicas capazes de orientar políticas públicas mais justas e qualificadas, além de fortalecer o controle social sobre as decisões que afetam diretamente a educação pública e o trabalho docente.
