Protagonismo docente e formação continuada impulsionam alfabetização no DF

O Distrito Federal ultrapassou a meta de alfabetização estipulada pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada para 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O índice passou de 59% em 2024 para 65% em 2025, superando o objetivo de 63%. 

O avanço reflete o compromisso de professores(as) que atuam no segmento e reforça a importância da valorização da formação continuada para a manutenção e a ampliação dos resultados.

“Esse avanço na alfabetização no DF é resultado direto do compromisso das professoras e dos professores com a aprendizagem, mesmo diante de desafios. E ele só se sustenta com investimento em formação continuada, que é uma luta histórica do Sinpro. Não há melhoria real na educação sem valorização profissional e políticas permanentes de formação”, disse a diretora do Sinpro Mônica Caldeira.

O diretor do Sinpro Caio Romão também celebra os resultados da alfabetização no DF. Para ele, “esse é um reflexo da resiliência da nossa categoria, que, mesmo diante das dificuldades, segue dando o seu melhor pela qualidade da educação pública”.

“É um grande esforço coletivo, motivado pela iniciativa do pacto nacional e materializado por meio do programa Alfaletrando, que conta com servidoras dedicadas ao compromisso de garantir a alfabetização na idade certa contribuindo para o melhor desenvolvimento das crianças do DF. Que possamos seguir juntos em defesa de uma educação pública, laica e de qualidade para todos”, afirmou.

Criança Alfabetizada

O foco do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada é assegurar que todos(as) os(as) estudantes brasileiros(as) estejam alfabetizados(as) ao final do 2º ano do ensino fundamental. A política também visa recompor as aprendizagens, com ênfase na alfabetização de todas as crianças matriculadas no 3º, 4º e 5º anos afetadas pela pandemia.

No DF, a política nacional é fortalecida pelo programa distrital Alfaletrando, que atua de forma articulada às diretrizes do Compromisso para consolidar a alfabetização na rede pública. Assim como iniciativas adotadas em outros estados e municípios, o programa se estrutura como um eixo estratégico para o cumprimento das metas.

Segundo Ana Carolina Tavares, diretora de Ensino Fundamental, o Alfaletrando desenvolve ações com foco em cinco eixos estruturantes: gestão, formação e acompanhamento pedagógico, avaliação, infraestrutura física e pedagógica e compartilhamento e valorização de boas práticas.

A educadora explicou que, nessa perspectiva, a capacitação de professores que atuarão na alfabetização de crianças não pode ocorrer de forma isolada. Por isso, está atrelada a um registro sistemático, contínuo e instrumentalizado das aprendizagens dos estudantes, visando ampliar os resultados.

“A formação continuada é essencial para a transformação da prática pedagógica do professor, para subsidiar a intencionalidade no contexto das ações que serão desenvolvidas, das metodologias e abordagens que serão usadas e para atender os estudantes dentro dos diversos contextos. Mas ela não pode vir sozinha, por isso, o programa foi pensado em vários eixos. A partir daí, o professor vai poder pensar em estratégias que sejam compatíveis com as reais necessidades dos nossos estudantes”, afirmou.

Para Ana, mesmo com os avanços, a alfabetização ainda enfrenta desafios para se concretizar com uma política estruturante, como a implementação integral e continuidade garantida.

Além disso, ela destaca que é fundamental que todos os atores compreendam o que é a política de alfabetização — e o seu papel dentro dela — o que demanda uma comunicação mais efetiva.

“Ao envolver todos os atores desse processo — desde o professor em sala de aula até o coordenador pedagógico, os gestores das instituições educacionais, as regionais de ensino, a sede e parceiros externos — a perspectiva é consolidar esse regime de colaboração. Quando isso se concretiza, conseguimos avançar ainda mais na alfabetização”, afirmou.