Estudantes são agredidos pela polícia durante ato, mas conquistam comitê permanente na SEEDF
O movimento estudantil do Distrito Federal conquistou uma importante vitória na tarde desta quinta-feira (26). Mesmo diante da violência da polícia militar, que reprimiu os(as) estudantes com gás de pimenta e violência física diante de um ato pacífico e democrático – em defesa de prioridade à educação pública e contra o modelo de escolas cívico-militares no DF -, os(as) estudantes garantiram espaço permanente nas mesas de negociação com a Secretaria de Educação do DF (SEEDF).
O Sindicato dos Professores (Sinpro) repudia a violência policial, que atacou de forma covarde estudantes que se manifestavam de maneira pacífica e democrática, na luta por uma educação mais participativa e plural, sem repressões e amarras como as impostas nas escolas cívico-militares.
Importância da luta dos estudantes
O ativismo estudantil representa um importante termômetro da educação por avanços e conquistas para o segmento e pela valorização de professores(as) e orientadores(as) educacionais. Quando alunos(as) se organizam em grêmios, ocupam espaços em conselhos escolares ou mobilizam a comunidade por melhores condições estruturais, além de exercer um papel fiscalizador e propositivo. Dados mostram que escolas com gestões democráticas e participação ativa do corpo discente tendem a apresentar menores índices de evasão e maior engajamento pedagógico.
O ato organizado por entidades como a União dos Estudantes Secundaristas do DF (UESDF) e outros movimentos estudantis mostra a importância deste grupo para o futuro do Brasil e da educação. “Historicamente, movimentos como a UNE e a UESDF sempre atuaram como protagonistas nas grandes conquistas educacionais do país. O movimento estudantil tem uma tradição de contribuir com a condução de uma educação mais democrática, e foi isto que reivindicamos hoje”, destaca Izabella Maia, vice-presidente da UESDF.
Para o diretor do Sinpro Jean Carmo, “o novo espaço institucional permitirá que os alunos participem ativamente das mesas de negociação da Secretaria de Educação, garantindo que as demandas da juventude sejam ouvidas de forma contínua e não apenas em momentos de crise.”
O deputado distrital Gabriel Magno lembrou a importância dos(as) estudantes em processos cruciais para o futuro do país, exemplo das eleições. “A eleição deste ano será a mais difícil da história e temos como tarefa central a reeleição do presidente Lula. Para isto, o papel da juventude é decisivo, a exemplo de 2022, quando os movimentos estudantis foram responsáveis pelo alistamento de mais de três milhões de jovens, garantindo a vitória de Lula por uma margem de dois milhões de votos.”
Em meio às crescentes mobilizações estudantis, o Sinpro reafirma seu respeito e reconhecimento ao papel fundamental dos(as) estudantes nas reivindicações por melhorias na educação. O sindicato destaca a importância da união entre educadores(as) e movimentos estudantis na luta por mais investimento, valorização dos profissionais da educação e a construção de um ambiente escolar livre de repressões, aberto ao conhecimento e ao pensamento crítico. Para o Sinpro, a participação estudantil é essencial na defesa de uma escola pública democrática e de qualidade para todos(as).
Após o ato, o Sinpro junto com a UESDF promoveram uma aula aberta no auditório Paulo Freire, promovendo a discussão sobre as condições da educação no DF e os impactos da militarização. Também foi lançado a cartilha de incentivo à criação de grêmios estudantis e da campanha “Se liga 16!”, que divulga a importância dos adolescentes tirarem o título de eleitor e exercerem a cidadania através do primeiro voto.
