Encontro Nacional de Comunicação da CUT discute tecnologia e fake news em SP
A CUT realiza entre os dias 12 e 14 de março, em São Paulo, o X Encontro Nacional de Comunicação da CUT (Enacom). O evento reúne secretários e assessores de comunicação das CUTs estaduais e dos ramos de atividade para debater estratégias, trocar experiências e discutir os desafios da comunicação sindical diante das transformações tecnológicas e do cenário político.
O encontro será realizado na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na região da República, no centro da capital paulista, e deve reunir representantes das 27 CUTs estaduais, incluindo o Distrito Federal, além de comunicadores dos 19 ramos de atividade da central.
Os temas e objetivos do encontro foram abordados no episódio mais recente do podcast Estúdio CUT, que recebeu a secretária nacional de Comunicação da CUT, Maria Aparecida Faria, para falar sobre a programação e os desafios da comunicação sindical no país.
A ideia é trocar experiência e, ao mesmo tempo, se apoderar de novas informações e ferramentas para que a informação chegue a todos os trabalhadores e trabalhadoras
Assista ao episódio na íntegra abaixo
Comunicação sindical e desafios atuais
Segundo Maria Aparecida Faria, a comunicação da central precisa cumprir um papel que vai além da divulgação de informações: contribuir para a formação cidadã e para a organização da classe trabalhadora.
“Nós contamos com a presença dos secretários das estaduais da CUT, ao todo são 27 estaduais, contando com o Distrito Federal, com seus assessores de comunicação, e mais os 19 ramos de atividade também que nós temos. A ideia é trocar experiência e, ao mesmo tempo, se apoderar de novas informações, novas ferramentas e entender como utilizar melhor para que a informação chegue a todos os trabalhadores e trabalhadoras”, explicou.
Para a dirigente, comunicar com qualidade exige não apenas domínio das ferramentas, mas compromisso com a veracidade das informações e com a realidade vivida pelos trabalhadores.
“É como que você pega uma informação que nós sabemos que é de interesse da classe trabalhadora, mas ela vem numa linguagem muito jornalística ou às vezes muito ‘juridiquês’. Como é que a gente traduz isso para o cotidiano do trabalhador e da trabalhadora para que as pessoas sintam que aquilo impacta na vida delas?”, afirmou.
Ela destaca ainda que a comunicação sindical possui características próprias, já que seu principal público é a classe trabalhadora em suas diferentes realidades.
“Embora a nossa comunicação seja aberta para toda a sociedade brasileira, ela é direcionada principalmente para a classe trabalhadora, seja ela formal ou informal, do campo ou da cidade”, disse.
Programação debate tecnologia, redes e disputa de narrativa
A programação do X Enacom começa na manhã de 12 de março com a Abertura e a Mesa 1 – Análise de conjuntura, seguida pela Mesa 2 – Mídia, partido e trabalhadores: o papel da comunicação partidária e sindical na organização da classe trabalhadora e na disputa de projetos.
À tarde, o encontro promove a Mesa 3 – Realidade ou simulacro, verdade ou mentira? Debate sobre limites éticos na inteligência artificial, que discutirá os impactos das novas tecnologias e os desafios colocados pela expansão da inteligência artificial no campo da comunicação.
No segundo dia, 13 de março, os debates continuam com a Mesa 4 – Comunicação comprometida com a verdade, seguida da Mesa 5 – Plataformas digitais na disputa de projetos: leitura crítica das ferramentas de comunicação, que abordará o papel das plataformas digitais na mobilização social, na formação política e no combate à desinformação.
Ainda no dia 13, o encontro realiza a Mesa 6 – Comunicação Popular e Projeto de País: resultados de 2025 e estratégias unificadas para 2026, voltada à construção de um plano de ação da comunicação da CUT para o próximo período.
O último dia do evento, 14 de março, será dedicado à apresentação dos trabalhos em grupo, à consolidação das contribuições dos participantes e à aprovação das resoluções do encontro.
Combate à desinformação
Durante a entrevista ao podcast Estúdio CUT, Maria Aparecida Faria também destacou a responsabilidade da comunicação sindical no enfrentamento à desinformação, especialmente em períodos de maior disputa política.
Segundo ela, a central não faz comunicação partidária, mas tem o dever de esclarecer informações e garantir que a classe trabalhadora tenha acesso a dados confiáveis.
“O cuidado que a gente tem que ter sempre é que nós não fazemos comunicação partidária. Mas temos a obrigação de esclarecer, tirar dúvidas e corrigir uma inverdade que seja dita, porque o trabalhador não pode ser enganado”, afirmou.
Para a dirigente, o uso crescente de tecnologias como inteligência artificial pode ampliar a circulação de conteúdos falsos ou manipulados, o que exige maior atenção dos comunicadores.
“Cabe a nós colocar as coisas sempre às claras e trazer as informações da forma mais correta e mais honesta possível para que as pessoas façam o seu juízo de valores”, disse.
Troca de experiências
Além dos debates e mesas temáticas, o encontro também será um espaço de troca de experiências entre comunicadores da CUT de diferentes regiões do país.
Maria Aparecida Faria destacou que as realidades da comunicação sindical variam entre capitais, interior e diferentes setores da economia, o que torna o encontro um momento importante de aprendizado coletivo.
“Cada um traz uma visão, um modo de enxergar e um modo de trabalhar. Às vezes alguém apresenta uma experiência feita no estado que deu super certo e aquilo chama a atenção da gente. É uma troca de experiência que não tem dinheiro que pague”, afirmou.
Segundo ela, o encontro também reforça os laços entre os comunicadores da central e fortalece o papel da comunicação na organização da classe trabalhadora.
“Esse encontro traz esse momento de a gente estar junto, de ser parte de um processo de contar a história e de fazer com que os trabalhadores sejam a história do nosso país”, concluiu.
Fonte: CUT
