Com participação de entidades sindicais e parlamentares, 6º CONUESDF fortalece movimento estudantil no DF
Maior encontro estudantil secundarista do Distrito Federal, o VI Congresso da União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (CONUESDF) e o Seminário de Gestão, ocorreram nos dias 30 e 31 de maio, no Instituto Federal Brasília (IFB) Campus Brasília, focado no debate sobre educação, organização de grêmios e fortalecimento do movimento estudantil. Entre os encaminhamentos aprovados, o movimento destaca a definição das diretrizes políticas e o calendário de lutas para o próximo período. As resoluções aprovadas priorizaram o fortalecimento das bases estudantis e o enfrentamento às políticas educacionais vigentes.
As principais deliberações tratam do mutirão de grêmios estudantis, com a criação de brigadas para fundar e reestruturar grêmios estudantis nas escolas técnicas e de ensino médio de todas as Regiões Administrativas (RA); da defesa do passe livre, com organização de comissões permanentes para fiscalizar e cobrar melhorias na linha de transporte escolar e manutenção integral do passe livre estudantil; e da aprovação do plano de lutas, com formulação de um documento unificado com as principais reivindicações para a infraestrutura física das escolas públicas da capital.
Além disso, aprovaram duas grandes atividades públicas: a Jornada de Lutas nas Escolas, com um cronograma descentralizado de assembleias e panfletagens nas portas das instituições de ensino público do DF no mês de junho, e o Ato Unificado, com convocação de uma mobilização de rua em Brasília em parceria com frentes sindicais e a CUT-DF para pressionar por maior orçamento e qualidade na educação.
Sinpro analisa e aponta perspectivas
O diretor do Sinpro Fernando Augusto destacou a importância da organização estudantil para a história do país e para as lutas atuais da juventude. “O CONUESDF é um evento importante para a organização da luta estudantil no DF. Vale lembrar que a luta estudantil organizada ao longo da história tem sido fundamental para garantir conquistas para as brasileiras e brasileiros, como, por exemplo, a luta contra a ditadura militar, pelas Diretas Já, em defesa da campanha O petróleo é nosso, dentre outras”.
Ele afirmou que ter uma organização estudantil forte, organizada, é fundamental para a luta dos estudantes da classe trabalhadora e analisou a relevância do sexto congresso neste momento político do Brasil. “A consolidação de um movimento estudantil forte, organizado, já demonstrou, historicamente, que é fundamental para grandes mudanças da história do país. Nesse sexto CONUESDF, os estudantes estão se fortalecendo, se organizando, principalmente com esse momento eleitoral do nosso país” analisou.
A voz da nova gestão da UBESDF
Eleito em maio diretor de Relações Institucionais da UBES-DF para a gestão 2026-2028, o técnico em informática pelo IFB Paulo Henrique Viana Araújo explicou que o congresso teve como objetivo organizar as prioridades do movimento estudantil para o próximo período e destaca a importância do Seminário de Gestão. “O Seminário de Gestão foi o momento em que a Ubes organizou com seus diretores, sua direção, sua presidência, diretoria executiva e direção plena para organizar o calendário da Ubes para 2026 e priorizar quais serão as principais pautas dos estudantes, se vai ser o combate aos assédios, se vai ser a campanha do Se Liga 16, se vai ser outras campanhas”, afirmou.
Ele disse que a presença do movimento sindical, parlamentares e reitores na abertura do CONUESDF, uma das principais entidades dos estudantes secundaristas do Distrito Federal, fortalece ainda mais o movimento estudantil, que aconteceu no Campus Brasília do IFB, na 610 Norte. O evento contou com a presença de deputados distritais e federais, além de figuras importantes da cidade, como o candidato do PT ao governo do DF, Leandro Grass, a deputada federal Erika Kokay, a reitora do IFB, Veruska Machado, dentre outras personalidades.
Paulo contou que o congresso reuniu também estudantes de diversas Regiões Administrativas e representantes de diferentes redes de ensino. “Contou com a presença de estudantes de todo o DF, como Ceilândia e São Sebastião, além de estudantes da rede federal e da rede distrital de educação. Esse é um momento importante não só para o movimento social, mas também para o movimento estudantil porque oxigena o nosso movimento para que ele continue ganhando mais força, tenha mais apoio não só no institucional, mas dentro de cada escola”, concluiu.
Avaliação do mandato anterior
A ex-presidente da UBESDF e estudante do 3º Ano do Ensino Médio do CED Darcy Ribeiro do Paranoá, Letícia Resende da Silva Serra, avaliou a gestão da UESDF nos últimos dois biênios em que ela presidiu a entidade e destacou os desafios enfrentados para fortalecer o movimento estudantil no Distrito Federal.
“Assumir a presidência da UESDF aos 15 anos foi um dos maiores desafios da minha vida. Foram 2 anos de muito aprendizado e de muita luta para fortalecer a entidade, como fazer aproximação das escolas e mostrar que o movimento estudantil continua sendo ferramenta importante de transformação”, disse.
Entre as conquistas da gestão, ela destacou a reconsulta de escolas cívico-militares e avanços na assistência estudantil dos Institutos Federais. “Entre as principais conquistas, destaco a reconsulta de cinco escolas cívico-militares, uma pauta que defendemos desde o início da gestão por acreditarmos que a escola pública deve ser um espaço de diálogo, participação e liberdade. Também tivemos uma vitória importante na luta pela alimentação dos estudantes dos Institutos Federais, garantindo uma rubrica específica para os alunos do ensino médio e da EJA.”
A estudante ressaltou os desafios enfrentados durante a gestão. “Foram muitos, especialmente em um período de desmobilização política e de afastamento dos jovens dos espaços de participação, ensejado, principalmente, pela pandemia da covid-19, mas, ainda assim, construímos uma gestão coletiva, com diálogo com estudantes, escolas e movimentos sociais”.
Ela enfatizou a importância do movimento estudantil e afirma que ele continua sendo fundamental para garantir conquistas e ampliar a participação da juventude nos espaços de decisão. “Acredito que o movimento estudantil é a principal ferramenta de diálogo e de luta dos estudantes. É por meio dele que a gente transforma demandas da juventude em conquistas concretas”, assegura.
Letícia informou que o movimento estudantil tem contribuído para diversas pautas da sociedade. “Ajuda a formar estudantes mais críticos, mais conscientes e mais preparados para ocupar os espaços de decisão, seja na escola, nas ruas, na Câmara Legislativa, no Congresso Nacional ou em qualquer lugar em que o futuro da sociedade esteja sendo discutido.”
Letícia apontou os desafios da nova gestão da entidade e as prioridades para os próximos anos. “A luta pelo passe livre durante as férias, a ampliação das reconsultas das escolas cívico-militares, o fortalecimento dos grêmios estudantis e o combate à omissão diante dos casos de assédio nas escolas precisam continuar sendo prioridades”, cita.
E finalizou com um incentivo à luta estudantil: “Acho que a missão da próxima gestão é fazer com que cada estudante do Distrito Federal volte a acreditar no poder da organização coletiva. É trazer de volta esse brilho no olhar, essa vontade de participar, de sonhar e de lutar por uma escola Brasil”, conclui.
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