25 de maio – Dia da Liberdade da África

Há 50 anos, uma reunião entre 32 chefes de Estado africanos em Adis Abeba, na Etiópia, instituía o Dia da Liberdade da África. O dia 25 de maio, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para combater a submissão, a colonização e o neocolonialismo, tem uma grande importância para a reflexão sobre a importância e por toda riqueza cultural dispensada pelo continente e sobre questões raciais que ultrapassam os limites geográficos.

Foi nesta data que se criou a Organização de Unidade Africana (OUA), com o objetivo de defender e emancipar o continente africano. É neste dia que se recorda a luta pela independência do continente africano, contra a colonização europeia e contra o regime do Apartheid, assim como simboliza o desejo de um continente mais unido, organizado, desenvolvido e livre. Importante ressaltar que nos anos seguintes muitos líderes africanos sofreram golpes de estado, e muito deles foram assassinados pelos europeus. 

Após a criação da OUA, um esforço conjunto passou a apoiar os movimentos democráticos ao redor da África, bem como na sustentação das negociações políticas com o eixo europeu. Também foram tomadas várias outras medidas consoantes aos princípios pan-africanos, como da reestruturação espacial do continente por meio de remanejamentos dos grupos étnicos, realocando grupos que compartilham da mesma cultura e separando grupos rivais, como forma de contornar as estratégias dos colonizadores europeus que, propositalmente, dividiam e mesclavam grupos oponentes, agravando as tensões político-sociais; restabelecimento das práticas religiosas; valorização das línguas nativas, sumariamente proibidas pelos colonizadores.

Diante de um continente tão importante para a história da humanidade, os séculos de exploração e sangue deixaram cicatrizes marcantes. Hoje é necessário um esforço conjunto para sanar várias deficiências, que vão desde o ingresso dos jovens ao mercado de trabalho, a luta pela igualdade de gênero, o empoderamento das mulheres e o combate às doenças e às pandemias, que continuam a assolar o continente africano, como pela luta para o fim das guerras que assolam o continente e seu povo.

Segundo Márcia Gilda, diretora de Raça e Sexualidade do Sinpro, a cultura brasileira está profundamente ligada às culturas africanas. Mulheres e homens que chegaram nessas terras através do tráfico transatlântico de seres humanos não trouxeram apenas a sua foça de trabalho. Trouxeram hábitos, valores civilizatórios e até mesmo suas diversas línguas. Portanto, entender a diversidade dos povos africanos é fundamental para a superação do racismo no Brasil. “O dia da África é mais uma data importante no calendário das lutas antirracistas no Brasil. Nos lembra que o racismo anda de mãos dadas com o colonialismo. Nesse sentido o fortalecimento das relações entre Brasil e África é fundamental na luta por reparação dos crimes cometidos pela escravidão”, ressalta.

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