17 de Abril: Da memória de Eldorado dos Carajás à esperança na luta pela terra e pela Educação do Campo no DF
O Professor Doutor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília/Departamento de Métodos e Técnicas, Marcelo Fabiano Rodrigues Pereira, integrante do coletivo Escola da Terra – DF e membro do grupo PRODOCÊNCIA – Grupo de Estudo e Pesquisa em Docência, Didática e Trabalho Pedagógico e do Observatório de Educação Básica da FE-UnB, nos brinda com uma reflexão necessária em defesa da Educação do Campo.
No dia 17 de abril comemoramos o Dia Internacional de Luta pela Reforma Agrária, lembramos o massacre ocorrido em Eldorado dos Carajás (17/04/1996). Uma mancha terrível na história brasileira, marcada pelo ataque violento da polícia militar do Pará. Ataque que ceifou a vida de 21 camponeses e feriu gravemente mais de 60 pessoas sem terra na “Curva do S”, em uma estrada entre Marabá e Parauapebas – Pará. Sujeitos que lutavam pelo sonho de um lugar para produzir materialmente a vida, a cultura e a solidariedade humana.
Esse é apenas um dos relatos que expressam a intensa violência no campo brasileiro, marcado por projetos de campo em disputa no Brasil. A partir desse evento, intensificaram-se as lutas dos movimentos sociais camponeses gestadas ao longo das últimas décadas. Entre esses avanços na luta por políticas públicas para o campo, destacam-se articulações e acontecimentos nacionais que foram fundamentais: o I Encontro Nacional da Reforma de Educação na Reforma Agrária foi um deles. Também cabe destacar a Marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocorrida em 1997, que reuniu cerca de 100 mil pessoas em direção à capital brasileira. Um marco importante desdobrado destas lutas foi a instituição do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – Pronera, em 1998, uma conquista dos povos do campo na luta pela reforma agrária.
A partir de então, muitas conquistas no campo das políticas públicas merecem ser celebradas, entre as quais a criação da Licenciatura em Educação do Campo, em 2007, e a posterior expansão e territorialização destes cursos no Brasil. O Distrito Federal é um território onde a Educação do Campo tem resistido e avançado na construção de um projeto educativo socialmente referenciado. Conta com 83 Unidades Escolares denominadas Escolas do Campo, distribuídas em 10 regionais de ensino e que, segundo dados da SEEDF, atendem em média 24.458 estudantes. Historicamente, na SEEDF, em parceria com a Universidade e Movimentos Sociais do Campo, vem se pavimentando um caminho para estruturar uma base legal que se ocupe seriamente da Educação do Campo. Nesse território, há uma organização de diretrizes curriculares para a Educação do Campo, com currículo e portarias próprias que congregam esse debate. Um avanço expressivo é a definição de uma meta no Plano Distrital de Educação, que apresenta estratégias para garantir a Educação Básica a toda a população camponesa em Escolas do Campo. Como parte dessa construção, as Regionais de Ensino e as Escolas do Campo do DF organizam-se para promover o Dia do Campo. Momento de memória, luta e resistência para fortalecer o projeto de Educação do Campo no Distrito Federal, celebrando as conquistas e apontando caminhos para a continuidade nas lutas.
Referências
ROCHA, Eliene Novaes et al. Escola da Terra: formação de professores das escolas do campo do Distrito Federal. Brasília, DF: UnB/FUP, 2021.
