Por André Barreto em 08/fev/2017

Toda força e apoio à luta dos trabalhadores da Cootarde



Motoristas e cobradores que prestam serviços à Cooperativa de Transportes do Distrito Federal (Cootarde-DF) decidiram permanecer em greve. A categoria vai completar um mês parada por conta do calote nos pagamentos. Os rodoviários exigem a quitação imediata dos salários atrasados, tíquete alimentação, 13º salário, férias vencidas e cestas básicas dos mecânicos e despachantes. A Cootarde integra o Sistema de Transporte Público Básico do DF como transporte complementar por meio de micro-ônibus nas cidades de Ceilândia, Taguatinga, Brazlândia, Santa Maria, Gama e Recanto das Emas.

Além dos constantes atrasos no pagamento dos funcionários e das más condições dos veículos, a cooperativa não enviou representante a uma audiência agendada no Ministério Público do Trabalho, demonstrando total descaso e falta de compromisso.

Para o diretor do Sindicato dos Rodoviários Marcos Junio Duarte, a pressão para que o GDF e a Cootarde efetuem os pagamentos se intensificará. “Não é possível voltar ao trabalho sem receber. A partir de agora, vamos, mais do que nunca, exigir nossos direitos. É inaceitável que os trabalhadores fiquem sem o pagamento”, afirmou.

De acordo com o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, nesse momento é fundamental manter a unidade de classe. “Estão usurpando direitos e prejudicando os trabalhadores. Não podemos admitir a retirada de conquistas e nem que os rodoviários sejam intimidados e reprimidos”, declara.

O dirigente CUTista lembra que o GDF, por ser a contratante, possui responsabilidade solidária com estes trabalhadores terceirizados e cabe ao governador Rollemberg exigir a imediata quitação das dívidas trabalhistas, resolver definitivamente o problema dos prestadores de serviços do Distrito Federal e impedir burlas por parte dos patrões.

Dificuldades – Enquanto pais e mães de família passam por necessidade, Rollemberg prefere virar as costas para a situação. “O GDF é o contratante principal e cabe a ele exigir a imediata quitação das dívidas trabalhistas e o cumprimento dos contratos de trabalho”, defende Marco Junior.

O dirigente conta que a situação chegou a tal ponto que muitos trabalhadores já estão sem comida na mesa e há relatos de outros que já foram despejados por não pagarem seus aluguéis.

Como se não bastasse, os trabalhadores precisam lidar com a criminalização do movimento. Durante uma manifestação, quatro rodoviários foram detidos injustamente e encaminhados para a Papuda, simplesmente por estarem protestando. Diógenes dos Santos, também dos Rodoviários, denunciou que tem sofrido retaliações e perseguição.

Uma agenda de ações em defesa dos companheiros foi definida e, para Rodrigo Britto, esse é o tempo de exercermos a solidariedade de classe. “É momento de organizarmos nossas entidades para o enfrentamento contra as medidas que prejudicam a população e os trabalhadores”, finaliza.

Ministério Público do Trabalho – A Cootarde-DF é alvo de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que acusa a entidade de terceirização irregular. De acordo com o MPT, os cooperados abrem microempresas que, por sua vez, são contratadas pela Cootarde. A estratégia seria uma forma de a Cootarde evitar o pagamento de direitos trabalhistas.

Entre as atividades que não devem ser terceirizadas estão: motorista, cobrador, operador e serviços administrativos.

A denúncia foi enviada ao MPT pelo juiz da 2ª Vara do Trabalho de Taguatinga, que atuou em um julgamento de reclamação trabalhista por parte de um motorista terceirizado que prestava serviços para a empresa.

Para o secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília, Julimar Rodrigues, diante de tamanhas irregularidades, a cooperativa deveria ser impedida de prestar serviços à população. Ele acredita que o GDF, como responsável pelo transporte público, deve tomar medidas para barrar as negligências. “É uma empresa que não cumpre com suas obrigações e que não tem responsabilidade alguma quando se trata dos direitos do trabalhador”, disse.

Com informações da CUT Brasília e do Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal

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