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Projeto quer cultivar prática do debate entre estudantes

Saber se expressar oralmente, nas mais variadas situações que surgem na vida cotidiana, é um competência fundamental para qualquer cidadão. Dominá-la, no entanto, não é tarefa fácil. Isso é o que afirma o consultor de comunicação Renato Mindus. Foi a partir dessa observação e analisando tal deficiência encontrada em muitos estudantes brasileiros que Mindus resolveu criar a Frontline Academy [1], um projeto que busca estimular a prática de debates entre alunos da educação básica.

Com a recém criada “escola de debates”, o consultor pretende oferecer, por meio de tutoriais, videoaulas e ferramentas de interação on-line, um portal aberto com orientações sobre como desenvolver atividades de debate dentro da sala de aula. Por enquanto, estão disponíveis os procedimentos [2] detalhados sobre como implantar de forma sistematizada esse tipo de discussão, chats [3] de discussão em tempo real e link para acesso ao Meevs [4], uma plataforma de debates on-line. Os vídeos estarão disponibilizados a partir de janeiro do ano que vem.  Também está nos planos da Frontline, realizar, de forma gratuita, treinamentos para educadores que têm interesse em implantar a prática dos debates entre seus alunos. Para os workshosps [5], serão cobrados apenas despesas de locomoção.

Toda a metodologia adotada pela Frontline Academy foi desenvolvida a partir de referencias norte-americanas, europeias e asiáticas. Baseando-se nas orientações desses países, onde os debates acadêmicos são mais populares, Mindus conseguiu simplificar a formato da atividade para ser melhor assimilada no Brasil. Assim, o usuário interessado no assunto poderá conferir dois estágios [2] propostos para a implantação do debate no ambiente escolar.

O primeiro é uma espécie de fase de preparação do estudante. Nesse estágio inicial, a ideia é estimular o aluno a aprender a falar em público. Para tanto, os estudantes são incentivados a exporem de forma geral suas opiniões sobre determinados temas.  Depois, os alunos são incentivados a defenderem suas ideias, mas agora por meio da exposição clara de argumentos. Ou seja, eles deixam de simplesmente opinar e passam a refletir sobre a construção da sua opinião. Dessa forma, eles são incitados a justificarem mais a colocação dos seus argumentos e ainda a pensarem sobre aspectos que fortalecem e enfraquecem a sua tese.

Em seguida, numa segunda fase de debates, a ideia é deixar os alunos se colocarem de forma mais autônoma. Para isso, é preciso que outros critérios de coesão e articulação de argumentos sejam trabalhados antes da discussão. Estratégias de convencimento, de exposição do raciocínio e discordância serão observadas durante o debate a ser comandado pelos próprios estudantes. Para trabalhar o desenvolvimento da habilidade de convencimento, por exemplo, os professores vão ensinar aos alunos o uso de expressões adequadas para expressar opinião, certezas e suposições. Além disso, eles serão orientados sobre como melhor definir o encadeamento de ideias e de que maneira deve ser enfatizada cada uma delas durante o discurso.

Nesse segundo estágio, competições em grupos de estudantes farão mais sentido. A “batalha”, no entanto, deve estar sempre baseada em princípios de solidariedade. “Não devem existir vencedores ou perdedores. Ao final, a ideia é que todos aprendam com todos e que o grupo saia vitorioso”, fala Mindus.

Segundo o consultor, a inclusão desse tipo de atividade nas escolas brasileiras pode melhorar “como um todo” o aprendizado dos alunos. “Buscamos com o projeto, estimular ainda mais o interesse dos alunos pelo estudo, motivá-los a ir atrás do conhecimento e incentivá-los a exporem suas opiniões por meio das discussões geradas no debate. Além disso,  queremos, com a atividade, aproximar de forma mais interativa o professor do aluno”, explica o consultor.

Para Mindus, o debate tem o poder de “descobrir a voz” do estudante. “Existem muitos alunos tímidos ou estudantes que não sabem se comunicar muito bem. Falta uma melhor articulação da fala e clareza na argumentação”. Será com as atividades de preparação para o debate que o aluno poderá desenvolver suas próprias ideias e defendê-las diante de seus colegas, diz Mindus. “Implantar o debate acadêmico dentro da sala de aula permite aos estudantes se aprofundarem nos conteúdos escolares de forma mais interessante. Além disso, ele ainda estimula o cooperativismo, a troca de conhecimento e o desenvolvimento do vocabulário e da leitura”.

PORVIR