Sinpro se soma ao 8M unificado e ocupa as ruas de Brasília contra o feminicídio

O Sinpro foi uma das entidades que se unificaram nas manifestações do último domingo. Sob o mote “Parem de nos matar”, cerca de mil pessoas – a maioria mulheres – se reuniram na Funarte e marcharam em direção ao Teatro Nacional na tarde do domingo, 8 de março, dia Internacional da Mulher.

O evento reuniu sindicatos, coletivos feministas e movimentos sociais. A mobilização contou ainda com muitas apresentações culturais, além de rodas de conversa e oficinas. Reunidas na Funarte, as mulheres seguiram em direção ao Palácio do Buriti para denunciar a violência de gênero e cobrar políticas públicas de proteção.

“Entendemos que este é o espaço em que a educação tem papel fundamental. As mulheres fazem parte do processo de construção da democracia e da soberania. Precisamos da educação nesse movimento”, aponta a coordenadora da secretaria de assuntos de mulheres educadoras do Sinpro, Berenice Darc.

O papel da educação no combate ao feminicídio também foi destacado pela diretora do Sinpro, Regina Célia: “é com a força da educação que a gente muda a cultura machista do assassinato. A educação é o que transforma. Essa luta é difícil, mas nós não vamos desistir dela. São nossas vidas em jogo”, destaca Regina, que completa: “a educação sozinha não faz verão, se não houver políticas públicas voltadas para o combate à violência de Gênero”.

“Estamos aqui porque defendemos a vida. Parem de nos matar”, concluiu a diretora do Sinpro Silvana Fernandes, após lembrar que a luta por direitos e igualdade é fruto de resiliência e resistência.

As mulheres também criticaram a falta de investimentos na rede de atendimento às vítimas de violência. A diretora do Sinpro e dirigente da CUT Thaisa Magalhães lembrou que vivemos na menor das Unidades da Federação, que é justamente a com maiores índices proporcionais de feminicídios. “Cobramos do governo Ibaneis hoje, que não basta inaugurar duas Casas da Mulher Brasileira, para proteger vítimas de violência doméstica, e não ter equipe pessoal para acolhê-las e fazer esses espaços funcionarem”, denunciou.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025 foram registrados no Brasil 1.568 feminicídios. É o maior número da década, 4,7% de aumento em relação a 2024.

O estudo traz um recorte ainda mais alarmante: 62,6% das vítimas de feminicídio são mulheres negras e, na maioria dos casos, o agressor é alguém conhecido, geralmente parceiro ou ex-companheiro.

Desde 2015, ano em que o crime de feminicídio passou a ser tipificado na lei brasileira, mais de 13,7 mil mulheres foram assassinadas por razões de gênero no país.