Sinpro encerra Semana Pedagógica com debate para os recém-empossados
Os inimigos da educação, além dos governos que implementam políticas neoliberais, manifestam-se na precarização do trabalho docente, na ampliação dos contratos temporários, na uberização das relações de trabalho e na defesa de uma escola sem estrutura e sem professor. Foi o que apontou o professor Helder Molina nesta quarta-feira (11/2), no encerramento da Semana Pedagógica do Sinpro.
Ao aprofundar essa análise, Helder também fez uma leitura de conjuntura e apontou o avanço internacional do ultraliberalismo nos campos político e econômico. Para ele, o aparelho do Estado tem sido utilizado como instrumento a serviço das classes dominantes, enquanto o parlamento é subordinado aos interesses do capital. Esse cenário provoca interferências diretas na formulação das políticas públicas, inclusive aquelas voltadas ao campo da educação.
Nesse sentido, ele destacou a urgência de mobilização social e política por maior presença do Estado no setor educacional, o que implica o fortalecimento das políticas públicas e do orçamento da educação.
“Vocês que estão assumindo têm o compromisso de defender a democracia, os direitos, a liberdade e defender e, principalmente, uma escola autônoma, democrática, comprometida com os interesses da maioria da população brasileira”, disse o educador.
Sindicato de luta
Como exemplo concreto da organização coletiva, o professor reforçou a importância das entidades sindicais na luta pela ampliação de direitos. Helder ainda relembrou a greve da educação em 2025 e os avanços do movimento paredista organizado pelo Sinpro.
Além da nomeação de 3 mil aprovados(as), a mobilização conquistou a aprovação do PL das Titulações, que dobrou os percentuais na tabela salarial (10% para especialistas, 20% para mestres e 30% para doutores), a prorrogação do concurso do magistério de 2022, a realização de novo certame ainda no primeiro semestre de 2026, além de outros avanços.
“Foi uma greve de massa, de mobilização e de grande participação política. Isso, certamente, precisa ser dito nas escolas: que as conquistas que estão sendo colocadas à mesa são frutos dessa greve”, disse Helder.
Segundo a diretora do Sinpro Márcia Gilda, o compromisso do Sindicato é com zeramento do cadastro reserva do concurso de 2022. “Precisamos reduzir o número de temporários na rede pública de ensino do DF. Isso significa garantir a quem hoje trabalha nesse modelo de contratação a oportunidade de se tornar efetivo, com estabilidade e segurança, sem a incerteza de não saber se o salário estará assegurado. O compromisso do Sinpro é com a qualidade da educação pública, democrática, laica e socialmente referenciada”, afirmou a sindicalista.
Leitura do contracheque
Com o objetivo de orientar os(as) novos(as) empossados(as) a terem domínio sobre os detalhes do contracheque, o ex-diretor do Sinpro e atual diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Cláudio Antunes, fez uma análise didática do documento.
“É importante lembrar que nosso salário é fruto de muitas lutas do Sinpro. São gratificações, avanços no vencimento e outras mudanças que foram conquistadas ao longo dos anos e que hoje garantem melhores condições de trabalho e de remuneração para a categoria. Entender cada item do contracheque é também compreender a história dessas conquistas e o valor da organização coletiva”, disse Cláudio.
Semana Pedagógica do Sinpro
Durante três dias, o Sinpro reuniu a categoria — presencial e virtualmente — para debater temas de interesse da educação pública do DF. Conquista da greve de 2023, professoras e professores em regime de contratação temporária tiveram participação remunerada nos dias 10 e 11 de fevereiro.
“Este foi um momento fundamental para fortalecer a unidade da categoria, compartilhar experiências e refletir coletivamente sobre os desafios da educação pública. A construção de uma educação de qualidade passa pelo diálogo, pela participação e pela organização coletiva”, afirmou a diretora do Sinpro Ana Bonina.
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