Sexta edição do Femina Vox debate igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável

O Femina Vox Brasil 2026, fórum internacional voltado ao fortalecimento do protagonismo feminino e à promoção da cultura de paz, foi realizado nesta terça-feira, 17 de março, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).
O encontro reuniu lideranças políticas, acadêmicas, representantes de organismos internacionais e mulheres de diferentes áreas para debater caminhos para a igualdade de gênero e o desenvolvimento sustentável.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou deste evento e destacou que esse fórum resgata a importância das mulheres falarem. “Mesmo que elas sejam caladas muitas vezes, elas nunca desistem, em qualquer lugar, num desastre natural, numa situação às vezes de desemprego da família, numa situação de doença, são as mulheres que se levantam e que vão cuidar. As mulheres são cuidadoras e, por isso, elas também precisam de cuidado, e essa é uma responsabilidade do Estado brasileiro”, avalia a ministra.
Márcia Lopes também defendeu a importância de lutar pela igualdade de gênero em todos os espaços. “Nós queremos legislações que humanizem a vida das mulheres, que garantam o direito das mulheres. Então, agora, o Pacto Brasil contra o Feminicídio, que o presidente Lula lidera, unificando legislativo, executivo e judiciário”.
Meio Ambiente
A advogada Giselle Marques, coordenadora nacional do FeminaVox 2026 no Brasil, explica que no solo brasileiro o evento busca dar visibilidade e voz às mulheres ribeirinhas, quilombolas, indígenas do Pantanal, que é um bioma único no mundo e é o que mais perdeu em disponibilidade hídrica. “O Pantanal está correndo sérios riscos, ameaçado pelo desmatamento em decorrência do agronegócio, de um modelo de economia que não é sustentável e que é ainda mais excludente para as mulheres”, denuncia.
Na avaliação de Giselle, a educação pública brasileira tem um importante papel engajando educadores e também alunos na causa da conservação ambiental. “Essa conservação vem também fortalecida quando as mulheres estão fortalecidas. E o Femina Vox quer justamente dar voz às mulheres que precisam do apoio do mundo todo para que as suas produções sustentáveis, como é o caso do artesanato decorrente do couro do boi, do aproveitamento do couro do peixe que é descartado na pesca, são alternativas sustentáveis que contribuem para a melhoria do clima e para um futuro e um novo modelo onde a educação e o fortalecimento das mulheres sejam uma realidade”, analisa.
Educadoras como agentes sociais
A idealizadora do Femina Vox, a artista e doutora Guila Clara Kessous, ressalta que a motivação para criar Femina Vox, há 6 anos, foi criar um espaço onde uma mulher pudesse ser ouvida de forma séria, em diferentes campos, seja na economia, na diplomacia, ou em outras áreas.
“Hoje, no Brasil, é uma edição excepcional porque diversas mulheres brasileiras estão representadas, sejam indígenas ou de diferentes gerações. Podemos sentir a importância da mulher para a sociedade brasileira, aqui no Brasil: 80% dos professores no Brasil são mulheres”, avalia Guila Kessous. Para ela, ser um educador não é fácil e exige muita força, especialmente de mulheres, para lidar com o cansaço. “Minha mensagem é que os professores não se vejam apenas como educadores, mas como agentes sociais que transformam as vidas. Porque é isso que é o que um educador faz, através da educação, e a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] sabe disso, através da educação é que vamos criar a sociedade pacífica do amanhã”, conclama.
Durante o evento houve a entrega de menções honrosas Femina Vox, momento simbólico de reconhecimento de mulheres.
Sobre o Femina Vox
Idealizado pela PhD Guila Clara Kessous, artista reconhecida pela Unesco como Artista da Paz, o Femina Vox é realizado desde 2021 e já reuniu milhares de mulheres de mais de 30 países. O fórum tem como objetivo criar espaços de diálogo, inspiração e mobilização para ampliar a voz das mulheres na sociedade e fortalecer uma agenda internacional voltada à paz, à solidariedade e à igualdade.
Desde 2019, o Femina Vox conta com apoio institucional de organismos internacionais e realiza encontros de alto impacto em capitais como Paris e Genebra. O evento integra ciência acadêmica, saberes tradicionais, narrativas de povos originários e formulação de políticas públicas, promovendo diálogo interdisciplinar alinhado aos Direitos Humanos e à Agenda 2030 da ONU.
Nesta edição brasileira de 2026, o evento também ocorreu nos dias 15 e 16 de março em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com o tema: “Femina Vox Pantanal: Mulheres no Enfrentamento das Mudanças Climáticas”. A apresentação da Orquestra Indígena Terena foi um dos destaques do dia 16 de março, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, onde também ocorreram rodas de conversa e palestras com especialistas.
Fonte: CNTE
