Sergio Nobre: eleição de 2026 é decisiva para o futuro político e social do Brasil
A disputa política que se desenha para 2026 foi o centro da análise de conjuntura durante a abertura do X Encontro Nacional de Comunicação da CUT (Enacom), que acontece na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em São Paulo. O evento, que reúne jornalistas, assessores e dirigentes sindicais dos ramos e das estaduais da Central, começou nesta quinta-feira (12) e vai até sábado, dia 14.
Em sua fala, o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que as eleições deste ano será decisiva para o futuro político e social do Brasil e classificou a disputa como a “eleição da vida”, capaz de definir os rumos do país nas próximas décadas.
Nobre destacou que o campo progressista possui condições concretas para sair vitorioso, no entanto, ele considera quarto pilares fundamentais para derrotar a extrema direita: liderança política, planejamento estratégico, força militante organizada e recursos suficientes para a disputa.
A gente já está a todo vapor nas eleições que vêm por aí — e, como a gente sempre diz, toda eleição é a eleição da vida. Mas, desta vez, isso é ainda mais verdade. É a eleição da vida porque vai definir o que será o Brasil nas próximas décadas, sem dúvida nenhuma
A análise ilustra o atual momento em que a comunicação ocupa lugar central na disputa política, em especial diante da influência das redes sociais, da circulação de desinformação e o uso da inteligência artificial.
A “eleição da vida” e a dimensão internacional da disputa
Na avaliação do presidente da CUT, as eleições de 2026 não terão apenas impacto interno, como será também acompanhado internacionalmente por representar uma disputa entre projetos políticos que “extrapolam as fronteiras brasileiras”.
“A importância dessas eleições é sobre defender os direitos humanos, defender a classe trabalhadora e combater as desigualdades” disse o dirigente, que afirmou ainda que uma vitória do campo progressista seria interpretada globalmente como uma reafirmação das agendas de direitos humanos, democracia e combate às desigualdades.
Sergio destacou o papel político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário mundial. Para o dirigente, Lula representa hoje uma das principais vozes internacionais em defesa da democracia e da redução das desigualdades sociais.
Comunicação como terreno central da disputa
Na sua avaliação, Nobre ressaltou que o governo realiza diversas ações e políticas públicas, mas adversários políticos – a extrema direita – ainda consegue construir as narrativas negativas sobre o governo, usando táticas recorrentes.
Para o presidente da CUT, a direita tende a evitar debates programáticos ou comparações de resultados entre governos, preferindo concentrar a disputa em ataques pessoais, desinformação e campanhas digitais baseadas em conteúdos virais. Ele alertou ainda que o ambiente das redes sociais favorece esse tipo de estratégia e que a campanha eleitoral deve ocorrer em um terreno marcado por desinformação e ataques políticos.
Desafio digital
Ao abordar a comunicação nas redes, o presidente da CUT destacou a necessidade de transformar o potencial político já demonstrado nas urnas em presença digital organizada e ativa. Ele lembrou que, mesmo no momento mais adverso para o campo progressista nas últimas décadas, nas eleições de 2018, o projeto representado por Lula reuniu cerca de 47 milhões de votos.
Para Sergio Nobre, esse contingente revela uma base social ampla que precisa ser mais mobilizada também no ambiente digital. O desafio, segundo ele, é transformar esse apoio político em uma rede ativa de comunicação, capaz de ampliar o alcance das informações, disputar narrativas e fortalecer o diálogo direto com a sociedade.
Transformar pautas em sentimento social
Outro elemento central da análise apresentada no Enacom foi traduzir pautas políticas em temas que dialoguem diretamente com a vida cotidiana das pessoas.
Nobre citou como exemplo a mobilização em torno do fim da escala 6×1, tema que ganhou repercussão pública ao relacionar a redução da jornada de trabalho com a qualidade de vida, o tempo para a família e o descanso.
Para ele, esse tipo de abordagem “amplia a capacidade de mobilização social, pois transforma debates técnicos em questões que despertam identificação e emoção na população”.
O dirigente defendeu que a mesma estratégia seja aplicada a outros temas, como a regulamentação do trabalho por aplicativos e a luta contra o feminicídio.
Os quatro pilares para a vitória
Mesmo diante de um cenário que classificou como difícil e polarizado, Nobre afirmou que o campo progressista reúne quatro condições que podem garantir a vitória em 2026.
O primeiro elemento é a liderança política representada pelo presidente Lula. Segundo ele, o campo progressista possui não apenas um candidato competitivo, mas “um candidato espetacular”, capaz de dialogar com amplos setores da sociedade.
O segundo pilar é o planejamento estratégico. Para o dirigente, conhecer o adversário e explorar suas fragilidades será decisivo para a disputa eleitoral.
O terceiro elemento é a força da militância organizada. Nobre destacou o papel do Partido dos Trabalhadores e das organizações sindicais, que, segundo ele, possuem uma base social mobilizada e historicamente comprometida com a luta política.
O quarto pilar são os recursos disponíveis para a campanha. Embora reconheça que setores empresariais tendem a apoiar candidaturas conservadoras, o dirigente afirmou que o campo progressista terá condições materiais suficientes para sustentar uma campanha baseada na mobilização popular.
“Temos tudo para ganhar a eleição, mas a gente tem que acreditar e tem que fazer tudo certo”, finalizou o dirigente.
Nós temos tudo para ganhar a eleição, mas a gente tem que acreditar e a gente tem que fazer tudo certo, para quando a campanha começar a gente ir para cima, derrotar a direita e manter o Brasil no caminho da democracia e fazer o mundo acordar mais feliz
Repolitizar debates e ocupar territórios
O primeiro dia do X Encontro Nacional de Comunicação da CUT (Enacom), a mesa “O papel da comunicação partidária e sindical na organização da classe trabalhadora e na disputa de projetos”, trouxe uma análise sobre os desafios da comunicação e da organização política diante do avanço da extrema direita. O secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores, Eden Valadares, e o secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo, defenderam a necessidade de fortalecer a presença política nos territórios e ampliar a capacidade de comunicação com a classe trabalhadora.
Na sua fala, Eden Valadares chamou atenção para o papel das plataformas digitais na disputa política atual. Segundo ele, é preciso abandonar a ideia de que as redes sociais funcionam como um espaço neutro.
“Esqueçamos de uma vez por todas qualquer ilusão sobre neutralidade das redes sociais”, afirmou. Para o dirigente, as grandes plataformas digitais operam como empresas globais que lucram com a circulação de dados e com a influência sobre comportamentos e opiniões. Nesse modelo, explicou, informações pessoais dos usuários são transformadas em mercadoria para direcionar conteúdos e influenciar escolhas políticas.
Eden ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem levado esse debate ao cenário internacional, denunciando o que chamou de “colonialismo digital” e defendendo que a tecnologia esteja a serviço das pessoas e da democracia.
No campo da organização política, o secretário defendeu que partidos e movimentos sociais precisam fortalecer sua presença nos locais onde a classe trabalhadora vive e trabalha. Para ele, não se trata apenas de retomar presença nas comunidades, mas de fazer com que as organizações sejam parte real da vida social desses espaços.
“O PT não deve ‘voltar’ pra comunidade. O PT deve ser expressão da classe trabalhadora”, afirmou. Eden destacou que isso significa dialogar também com novas formas de trabalho que cresceram nos últimos anos, como motoristas de aplicativo, entregadores e trabalhadores informais.
Outro ponto defendido por ele foi a necessidade de “repolitizar” o debate público. Segundo o dirigente, temas como a taxação de grandes fortunas e dos bancos podem ajudar a recolocar a disputa política em torno das desigualdades sociais e reconectar o campo progressista com sua base social.
Para Eden, o próximo pleito terá um peso histórico que ultrapassa as fronteiras do Brasil. “2026 é a eleição mais importante… porque dessa vez nós estamos numa encruzilhada mundial. O mundo democrático olha pro Brasil e por Lula”, afirmou.
Desafios da comunicação
Em sua fala, Ariovaldo de Camargo, coordenador da mesa, apresentou uma reflexão crítica sobre a forma como o campo progressista analisa seus próprios desafios de comunicação.
Para ele, muitas vezes se repete a ideia de que a esquerda não sabe se comunicar, mas a própria história eleitoral mostra o contrário. “Que dificuldade de comunicação é essa que nós disputamos nove eleições, em todas elas nós ficamos pelo menos em segundo lugar e ganhamos cinco?”, questionou.
O dirigente da CUT destacou que, apesar das dificuldades no ambiente digital, o campo progressista construiu ao longo das últimas décadas uma forte presença política e eleitoral. Ele destacou ainda que a gravidade do cenário político exige disposição para enfrentar pressões e obstáculos institucionais, sempre com foco na defesa da democracia e dos direitos sociais.
Ao encerrar sua participação, o dirigente reforçou que a união entre organizações sindicais, partidos e militância será fundamental para enfrentar a estrutura de desinformação construída pela extrema direita nas redes sociais e nos meios digitais.
Fonte: CUT
