Professor Antônio Lisboa denuncia escravidão moderna em entrevista à imprensa francesa
A perda da liberdade imposta pelo trabalho forçado e cruel foi uma triste constante em diversas regiões do mundo. A escravidão dizimou tribos inteiras e submeteu milhares de pessoas negras a profundas violências físicas e psicológicas, deixando marcas que atravessam gerações. Prestes a completar 138 anos da abolição da escravidão no Brasil, o mundo ainda convive com um cenário de exploração, onde, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 50 milhões de pessoas vivem em situação de “escravidão moderna”.
Em entrevista ao jornal francês ‘Le Courrier’, o professor aposentado, historiador e responsável pelas relações internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Antônio Lisboa, ressalta que a escravidão moderna é sistêmica. Em passagem por Genebra, ele participou de debates sobre o tema e analisou a persistência da escravidão moderna no Brasil e no mundo, bem como as lutas necessárias para combatê-la.
Confira abaixo a entrevista completa e ao final da matéria, o link para ter acesso ao jornal na íntegra.
O Brasil foi o último país a abolir oficialmente a escravidão, em 1888. Qual é a situação hoje?
Antônio Lisboa – Milhares de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros são vítimas de escravidão moderna — um termo que inclui trabalho forçado, jornadas exaustivas, servidão por dívida e/ou condições degradantes.
Entre 2015 e 2025, mais de 67 mil pessoas nessa situação foram resgatadas pelo governo. Também se observa um aumento dos casos nas áreas urbanas.
Quais são os setores mais afetados?
Antônio Lisboa – Setores importantes da economia recorrem ao trabalho forçado:
- grandes plantações do agronegócio (café, cana-de-açúcar, viticultura);
- pecuária;
- produção de carvão vegetal;
- construção civil.
Além disso, muitas trabalhadoras domésticas também são afetadas. Os trabalhadores migrantes são particularmente vulneráveis, devido às discriminações que enfrentam — como pessoas vindas do Haiti, Venezuela e Paraguai, ou mesmo migrantes internos (do Norte para o Sul do país).
Também há uma precarização extrema em certas atividades:
- produção doméstica;
- coleta de recicláveis;
- trabalho em plataformas digitais muitas vezes em condições próximas à escravidão moderna.
Como está a luta contra esse problema?
Antônio Lisboa – Entre 2003 e 2015, durante os governos de Lula e Dilma Rousseff, houve uma política mais ativa que conseguiu reduzir a incidência do trabalho escravo, especialmente com o fortalecimento da fiscalização.
Lisboa também alerta que as eleições presidenciais terão impacto direto nessa luta. Segundo ele, se a extrema direita voltar ao poder, pode haver um retrocesso ainda maior nos direitos sociais e democráticos.
Clique aqui e confira a entrevista na íntegra.
