O desastre da Saúde sob Ibaneis

A professora Rosilene Corrêa, dirigente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), debate em artigo a profunda crise da saúde pública no Distrito Federal. Leia abaixo.

 

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O desastre da Saúde sob Ibaneis

Por Rosilene Corrêa*

 

Nem precisa acompanhar noticiários ou debates em redes sociais para perceber que a saúde pública da capital federal passa por uma crise sem precedentes. A população sente na pele o descaso; e a queda de investimento do GDF na área é facilmente demonstrável por dados que são públicos.

A falta de servidores e as péssimas condições de trabalho e de estrutura às quais são submetidos resultam nas dificuldades de atendimento de qualidade à população. Os profissionais de saúde seguem bravamente cumprindo seu dever o melhor que podem, enfrentando sobrecarga intensa, estrutura insuficiente, más condições de trabalho, o que resulta no adoecimento físico e mental desses servidores.

Embora insista na afirmação de que não fez promessas – falácia já devidamente desmantelada -, Ibaneis Rocha não vai entregar aquilo com que havia se comprometido: novos hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBS). Dos cinco hospitais prometidos, três sequer foram iniciados – os outros dois estão em fase muito inicial de obras. Das 18 UBS prometidas, apenas três foram entregues, e apenas outras duas têm obras em andamento.

Mas a situação é ainda mais dramática do que promessas não cumpridas: ao sair do governo, Ibaneis deixará a saúde em situação calamitosa. A rede pública opera com profundo déficit de servidores (trabalhadores de diversas categorias, especialmente médicos e enfermeiros), de abastecimento, e todos nos lembramos muito bem da crise sanitária que vivemos com as epidemias de dengue. Isso sem falar que o desempenho do DF foi um dos piores do Brasil no combate à pandemia da covid-19, mesmo sendo a unidade da federação que reunia as melhores condições.

Isso tudo são produtos de uma escolha política clara, que é o sucateamento da saúde pública. O resultado é o que vemos na vida real das pessoas do Distrito Federal: dificuldades para conseguir atendimento, medicamentos, servidores trabalhando no limite de suas possibilidades.

Acontece que com saúde não se brinca. É dever do Estado e direito da população – não apenas de quem pode pagar por planos de saúde ou procedimentos, medicações e internações caríssimas na rede particular.

Na Educação, nós sabemos bem que Ibaneis não é afeito a cumprir promessas. O candidato que, em campanha, afirmou que professores deviam ter salário equivalente ao de um juiz, quando governador, o que fez foi promover mais e mais a desvalorização da categoria.

Cada pessoa deste Distrito Federal merece ser tratada com dignidade e respeito, independentemente de sexo, cor, idade, orientação sexual, origem. Saúde – assim como educação, segurança, cultura – é para todos e todas. E o nosso povo do DF está esgotado de ser tratado com tamanho descaso.

 

* Rosilene Corrêa é professora aposentada da Secretaria de Educação e dirigente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação).