Sobrecarga docente precariza a educação
É inadmissível que, mais uma vez, a Secretaria de Educação do DF (SEE-DF) coloque em prática medidas unilaterais. A pasta promoveu alterações significativas ao implementar a Avaliação de Monitoramento da Educação Básica (Amaeb) 2026 sem diálogo com a categoria, ignorando as condições da rede e sem oferecer o suporte necessário para sua execução.
A Amaeb integra o Sistema Permanente de Avaliação Educacional do DF (Sipae) e se articula a políticas nacionais como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, com foco Língua Portuguesa e Matemática.
Neste ano, a avaliação foi ampliada para toda a rede pública de ensino. Até então, a aplicação se restringia aos anos iniciais do ensino fundamental (1º a 5º ano). Agora, a avaliação passa a alcançar estudantes até o 3º ano do ensino médio.
Para o Sinpro, a extensão da avaliação, sem a definição de regras e critérios pedagógicos consistentes, impõe ainda mais sobrecarga para os(as) professores(as), especialmente os(as) do ensino médio das disciplinas avaliadas pela Amaeb. Isso porque esses profissionais terão de aplicar e corrigir provas em turmas superlotadas, além das demais atividades pedagógicas já realizadas fora do contexto da avaliação.
O aumento de demandas burocráticas compromete o planejamento pedagógico, ao reduzir o tempo destinado à organização coletiva e ao desenvolvimento de estratégias de ensino, deslocando o foco do trabalho docente para atividades operacionais.
Como se não bastasse, o registro dos resultados do cartão-resposta na plataforma agrava as condições de trabalho. Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 3º ano), o professor faz o preenchimento para cada estudante. Do 4º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, os(as) estudantes realizam a tarefa, e cabe ao professor registrar os dados na plataforma.
Entretanto, a SEE-DF não oferece infraestrutura para o registro de informações no sistema. Todo o trabalho é realizado com equipamentos pessoais dos(as) professores(as), sem garantia de acesso adequado à internet, suporte técnico ou condições mínimas nas unidades escolares, transferindo para o docente custos e responsabilidades que deveriam ser do Estado.
Não é aceitável naturalizar que professores utilizem seus próprios celulares e equipamentos para cumprir tarefas burocráticas da rede. Quando o trabalhador passa a custear os meios necessários para a execução do serviço público, há um processo de precarização que se aproxima da lógica de “uberização” do trabalho. A incorporação de tecnologias à educação é fundamental, mas exige investimento público em infraestrutura e equipamentos, garantindo condições adequadas para que o serviço seja prestado sem transferir esses custos aos profissionais.
O problema não é a avaliação em si, que tem caráter pedagógico e pode subsidiar melhorias na gestão da política educacional. A maneira como as mudanças foram implementadas, entretanto, desconsidera a realidade das escolas e compromete a qualidade do processo educativo.
O Sinpro defende que a aplicação da avaliação e o registro dos dados na plataforma sejam realizados por aplicadores e avaliadores externos. Assim, assegura-se o acesso às informações com mais consistência no processo avaliativo, preservando a organização do trabalho pedagógico.
Não aceitaremos mais precarização nem aumento da sobrecarga docente.
Diretoria Colegiada do Sinpro
