CLDF celebra os 47 anos de lutas e resistência do Sindicato dos Professores

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na última sexta-feira (27/3) sessão solene em comemoração aos 47 anos de vida do Sinpro-DF. Em todos os discursos dos presentes, duas certezas: a importância do sindicato na história da luta social no Distrito Federal e no Brasil, e a importância e a necessidade do bom voto para representantes legislativos nas eleições de outubro deste ano.

A solenidade foi convocada pelo deputado distrital Gabriel Magno, presidente da Comissão de Educação da CLDF, e o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, que é ex-dirigente do Sinpro, espera que nos próximos anos Gabriel não seja o único a convocá-la: “Nos últimos quatro anos, Gabriel, o seu mandato convocou essa sessão solene em homenagem ao aniversário do Sinpro. Espero que este ano seja o último que você chame essa sessão solene sozinho. Que, a partir do ano que vem, você tenha que negociar com a bancada da educação quem vai chamar a sessão solene.”

Tanto rodrigo quanto Gabriel exaltaram a importância do Sinpro na história de Brasília e do Brasil: “A responsabilidade historicamente construída do Sinpro é gigantesca. Não à toa, esse sindicato sempre foi o porto seguro de todos os movimentos sociais desta cidade, outros sindicatos e categorias. Não houve luta da classe trabalhadora desta cidade sem que o Sinpro estivesse presente de alguma forma”, disse o presidente da CUT.

O deputado distrital informou que, este ano, a Faculdade de Educação da Universidade de Brasília recebeu mais de 800 inscrições para seu programa de pós-graduação: “Isso é consequência do aumento do percentual das titulações da carreira do Magistério”, que foi uma das conquistas da greve do Sinpro de 2025, como bem lembrou Gabriel. Ele completou: “o Sinpro é o maior patrimônio da luta coletiva que esta cidade, capital do país, conseguiu produzir.”

Gabriel lembrou que, no último fim de semana, o anúncio do BRB de intenção de compra do banco Master completou um ano. Com 12 bilhões de reais, o valor de compra mais modesto já apresentado até agora (há indícios de que esse montante pode chegar a R$ 30 bilhões), dava para cobrir completamente todo o orçamento de saúde e educação. Como apontou Rodrigo Rodrigues, “A prioridade de Ibaneis é fazer negócios com bancos falidos, e não cuidar do Distrito Federal”.

A dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e diretora do Sinpro Berenice Darc apontou a importância de se eleger candidatos e candidatas à CLDF realmente comprometidos(as) com a educação: “Vamos fazer o que o GDF se recusou a fazer: um debate nas escolas para conscientizar a população a respeito do conceito de militarização das escolas. Muitas pessoas confundem militarização com segurança, e essa relação é totalmente falsa.” Nas palavras da dirigente do Sinpro, o sindicato “fez a luta por uma Brasília melhor, por um Distrito Federal melhor. Ao manter nossos professores e nossas crianças em casa durante a pandemia, nós salvamos vidas. Nós preservamos vidas.”

Berenice também lembrou do que se poderia fazer com o dinheiro que Ibaneis e Celina destinaram ao banco Master: “teríamos pé de meia com o dobro do valor, para vários estudantes, inclusive os da EJA, e é um valor que faz a diferença para esse perfil de estudante”. Ela também apontou a importância do bom voto nas eleições de outubro: “Precisamos pensar neste ano de 2026 como o ano de nossas vidas. Precisamos de uma bancada representativa em todas as casas Legislativas, aqui, no Senado e na Câmara.”

A também dirigente da CNTE e ex-dirigente do Sinpro Rosilene Corrêa falou do orgulho que dirigentes de outras unidades da federação têm do Sinpro-DF: “o que nos encoraja é ver o que representa o Sinpro não só em Brasília, mas em todo o Brasil. Em 47 anos, construímos uma relação de respeito com todas as pessoas de Brasília.” Para Rosi, o que muda a educação é um outro projeto de educação no Buriti, é o projeto da democracia, o projeto do respeito, o projeto da cidadania: “tivemos o Plano Nacional de Educação apresentado no Senado. Uma senadora de Brasília apresentou uma série de emendas para inclusão de voucher e homeschooling, que são retrocessos ao PNE. Vai ter disputa pela frente. E essa disputa passa pelo processo eleitoral. Não só o Sinpro, como todas as entidades de educação, precisam entrar nessa disputa pela educação de qualidade, laica, e trabalhadores respeitados, pois querem nos transformar em inimigos da sociedade.”

Por fim, a dirigente do Sinpro Márcia Gilda lembrou que “todo mundo cabe no nosso sindicato. O Sinpro é o sindicato pronto a ouvir, acolher, discutir, resistir e lutar”. Márcia lamentou oito anos sem reajuste na carreira, e lembrou que isso foi consequência das escolhas eleitorais do povo de Brasília. “Voto tem consequência. Tivemos que entrar na justiça para garantir que conquistas de 2014, que foram asseguradas por uma comissão de notáveis da qual faziam parte três ex-governadores de Brasília. Foram signatários de um acordo e nenhum dos dois cumpriram. Nós precisamos entrar na justiça para fazer valer esse acordo. que esse governo que está completando o seu oitavo ano de resistência e que hoje deixa a cadeira do Buriti, foi um governo que só nos trouxe algum ganho porque nós resistimos. Lutamos pela educação do protagonismo, e iremos sempre combater a educação da subserviência, que foi o único projeto apresentado por esse governo no campo da educação.”