Mesmo com dificuldades impostas pelo GDF, estudantes e escolas dão exemplo de superação no PAS

De 4.222 alunos (as) aprovados após a terceira etapa do PAS (Programa de Avaliação Seriada), 1.583 são da rede pública, um número superior aos anos anteriores. As dificuldades impostas pelo governo Rollemberg são inúmeras: número insuficiente de professores (as) e orientadores (as) educacionais, carência de materiais pedagógicos, atrasos frequentes nos repasses financeiros (do PDAF) e principalmente, a omissão do GDF em não custear a inscrição do PAS aos alunos da rede pública, negando a oportunidade de um futuro melhor a milhares de estudantes.
Apesar de todos os pesares, a comunidade escolar e os alunos mostram que é possível superar os mais difíceis obstáculos. Um exemplo é de Roberto Augusto Brito Alves, 17 anos, aluno do CEM 404 de Santa Maria, aprovado em Direito na UnB. Ele não fez a primeira etapa do PAS, quando estava no primeiro ano do ensino médio, mas motivado pelos professores e com muita determinação, conseguiu nas duas etapas seguintes uma nota que o classificasse. “Eu não tinha dinheiro para pagar a inscrição do PAS. Eu solicitei a isenção, mas meu pedido foi indeferido e eu perdi o prazo para o recurso. Cheguei a pensar em não fazer as demais etapas, pensando que não teria chance de passar em um curso concorrido, como o de Direito. Mas os professores me motivaram bastante, disseram que eu devia acreditar em mim, que eu ainda tinha chance”, conta.
Roberto se dedicou, além das 5h na escola, estudava mais 3h ou 4h em casa ou na biblioteca. Para ele, o apoio que teve de todos foi fundamental. “O corpo docente foi essencial. Mas também cito a direção, a equipe pedagógica e também os servidores terceirizados da limpeza, todos contribuíram. Como seria meu rendimento se minha sala estivesse suja para eu estudar?”, indaga. O aluno ressalta que a escola sempre teve muito empenho na preparação dos alunos, não apenas dentro da sala de aula, pois “na própria sala de informática nós fizemos nossa inscrição. As fotografias nós tiramos na escola também. Desde que entrei na escola em 2015, percebi que ela sempre teve essa linha pedagógica voltada para o PAS”, aponta.
Mesma opinião de Felipe de Lemos Cabral, diretor da instituição. “Desenvolvemos este trabalho há algum tempo, com projetos voltados para o PAS (que é o foco), mas não apenas para ele. Trabalhamos o Enem, o Sisu, Prouni, cursos técnicos… Temos um projeto exatamente explicando para os alunos como funciona o acesso para a universidade, damos todas as orientações para eles”, diz. A escola aprovou 27 alunos no ano passado. Só na primeira chamada deste ano, foram 43. Sinal de que apesar das adversidades, os frutos de muito trabalho são colhidos.
O que o futuro advogado Roberto, acostumado com o chão da escola pública projeta para o futuro? “Na escola pública temos contato com pessoas de origens, crenças e costumes diferentes. A empatia que criei será muito útil para a minha visão de mundo quando eu me tornar advogado. Certamente terei um olhar mais analítico para outras pessoas carentes e que vivem em dificuldades na nossa sociedade”, aponta.
Perguntado se ele se dá conta do que realizou, o jovem foi modesto. “Só desejo que meu exemplo sirva de inspiração para os próximos alunos das escolas públicas que tentarão entrar na UnB. Os jovens que estão na escola pública também podem sonhar. Eu sou apenas um exemplo”, finaliza.

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