Luiz Marinho pede diálogo como caminho para superar conflitos no mundo do trabalho

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participará nesta terça-feira (3), a partir das 19h, da sessão solene de abertura da etapa nacional da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT). A cerimônia será realizada no Teatro Celso Furtado, no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. Antes da cerimônia oficial, houve a abertura da Plenária do encontro com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que destacou o papel central do diálogo entre trabalhadores e empregadores como instrumento fundamental para enfrentar os desafios do mundo do trabalho e, ao mesmo tempo, contribuir para a superação do clima de ódio que se espalha pelo país.

Durante a apresentação do regulamento, da sistematização das propostas vindas das etapas estaduais e distrital e das orientações para os Grupos Temáticos, o ministro reforçou que a construção de soluções passa, necessariamente, pela colaboração em cada ambiente de trabalho — seja no setor de serviços, no comércio, na indústria ou no serviço público, em todos os estados da federação.

Segundo ele, é a partir do envolvimento coletivo de trabalhadores, trabalhadoras e também dos corpos gerenciais que se torna possível transformar conflitos em caminhos de entendimento. Para o ministro, a capacidade de diálogo no mundo do trabalho tem reflexos diretos na sociedade como um todo, ajudando a enfrentar violências que atingem mulheres, jovens, periferias e que se expressam, inclusive, na violência policial.

Ao defender a negociação como ferramenta histórica da classe trabalhadora e do empresariado brasileiro, Luiz Marinho lembrou que não existe uma única categoria profissional que não tenha recorrido ao entendimento ao longo das últimas décadas. Esses processos resultaram em acordos celebrados em assembleias, reconhecidos tanto por lideranças sindicais quanto empresariais, e que representam conquistas concretas nas relações de trabalho.

“O acordo é mais um degrau na grande escada da vida”, afirmou o ministro, ao destacar que cada pacto firmado simboliza avanços acumulados ao longo do tempo, fruto da persistência na busca por consensos possíveis.

Encerrando sua fala, o titular da pasta do Trabalho desejou que o espírito de diálogo, solidariedade e amizade guiasse os debates nos Grupos Temáticos, especialmente nos momentos de divergência e maior exaltação. Para ele, é justamente nos pontos de desencontro que o compromisso com a escuta e o respeito se tornam ainda mais necessários para fortalecer a democracia, o mundo do trabalho e a convivência social no país.

Ainda no evento desta tarde, a Organização Mundial do Trabalho (OIT) apresentará o Painel: Mercado de Trabalho Brasileiro e relação com o temário da II CNT.

A Conferência

O evento, que segue até quinta-feira (5), reúne representantes do governo federal e dos governos estaduais, empresários, da CUT e das demais centrais sindicais e das confederações patronais para definir diretrizes que devem orientar as políticas públicas de emprego e direitos trabalhistas nos próximos anos.

Serão debatidos temas centrais como qualificação profissional, proteção social, inclusão produtiva, fortalecimento da negociação coletiva e a preparação do país para as transformações tecnológicas, digitais, ecológicas e demográficas que moldam o futuro do mundo do trabalho.

Estruturada no modelo tripartite, com número igual de delegados e direito à voz para governo, trabalhadores e empregadores, a II CNT consolida-se como o principal espaço institucional de diálogo social sobre o mundo do trabalho no país. Esse formato coloca interesses distintos em negociação direta, com o objetivo de construir consensos e formular propostas viáveis para a política nacional de trabalho e renda.

Eixos e subtemas da Conferência

A conferência está organizada em dois eixos centrais:

  • Transformações do mundo do trabalho diante das transições tecnológica, digital, ecológica/ambiental e demográfica;
    • Políticas públicas para a promoção do emprego e do trabalho decente e da transição justa.

Esses eixos se desdobram nos seguintes subtemas:

  • Relações de trabalho, negociação coletiva e segurança jurídica;
    • Mercado e futuro do trabalho: intermediação, qualificação profissional e competências;
    • Políticas públicas de emprego, trabalho e renda e os fundos que as financiam: articulação, coordenação, informação e monitoramento;
    • Proteção e inclusão produtiva: emprego, desemprego, empregabilidade, novas formas de trabalho e inovações tecnológicas.

As deliberações aprovadas na II CNT devem balizar a formulação e o aperfeiçoamento das políticas públicas de trabalho no país nos próximos anos, em um cenário de disputa sobre os rumos do desenvolvimento e o papel do Estado na proteção social.

No dia 4, as três bancadas se reúnem separadamente para organizar posições. Em seguida, participam dos oito grupos temáticos (GTs), nos quais as propostas são debatidas e negociadas. A plenária final será no dia 5, quando serão votadas as deliberações consolidadas.

Veja a programação completa: clique aqui.

Retrospecto

Entre setembro e dezembro de 2025, foi realizado um amplo processo de participação social nas etapas estaduais e distrital, com a mobilização das 27 unidades da Federação. O esforço conjunto resultou em mais de 386 propostas estaduais, que servirão de base para a etapa nacional.

As etapas estaduais reuniram mais de 2.800 delegados, representantes de trabalhadores, empregadores e governo, em um espaço democrático e paritário de debate. As contribuições refletem preocupações com a modernização das relações de trabalho sem perda de direitos, o enfrentamento da precarização, a promoção do trabalho decente e a ampliação de oportunidades diante das transformações tecnológicas. (Informações da Ag.Gov)

Você pode acompanhar a II Conferência Nacional do Trabalho no YouTube do MTE. Clique aqui.

Fonte: CUT