Juventude organizada fortalece a defesa da carreira magistério

Três mil novos professores e professoras atuarão na rede pública do DF neste ano de 2026. A conquista da categoria, resultado da greve de 2025, amplia o número de jovens no quadro de efetivos do magistério público e traz para reflexão o papel central da juventude na valorização da profissão docente e na continuidade da luta.

Uma das maiores instâncias de construção da luta coletiva pelo projeto educacional do país, o 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), realizado neste mês de janeiro, mostrou que, entre as principais reivindicações do segmento, estão mais concursos públicos. Isso porque a maior parte da juventude está em regime de contratação temporária, com vínculos fragilizados e direitos limitados. Melhores condições de trabalho, valorização da formação continuada e políticas que fortalecem a carreira do magistério público e o fortalecimento da educação pública, gratuita, laica e socialmente referenciada também integram as demandas.

 

Juventude da carreira docente marca presença no 35º Congresso da CNTE

 

“A presença do Coletivo de Juventude do Sinpro e de outras entidades no 35º Congresso da CNTE mostrou que a juventude organizada tem força política e consciência coletiva para defender a valorização da carreira do magistério. Quando a juventude se unifica, ela renova a luta e fortalece o projeto de educação pública que queremos para o país”, disse a diretora do Sinpro Ana Bonina.

Na avaliação da diretora do Sinpro Ana Bonina, a valorização do magistério na perspectiva da juventude exige que essa mesma juventude tenha presença crescente dentro da própria categoria. 

Segundo estudo da CNTE A Juventude Trabalhadora de Educação, realizado em 2024, no Brasil, a renovação do corpo docente enfrenta desafios. “Um dos principais obstáculos para a entrada de novos profissionais na docência é a falta de atratividade da carreira. A profissão, muitas vezes marcada por baixos salários, carga excessiva de trabalho e uma crescente desvalorização social, não desperta o interesse dos jovens que buscam alternativas mais recompensadoras e estáveis em outras áreas”. 

O mesmo levantamento mostra que “a contratação por meio de contratos temporários, muitas vezes precários e com menor garantia de direitos trabalhistas, tem sido uma alternativa comum para a entrada de novos professores, especialmente nas regiões com déficit de docentes”. “Mais docentes jovens estão em situação de trabalho não efetivo do que efetivo”, aponta o estudo da CNTE, que indica: enquanto cerca de 70% a 74% do total de docentes no Brasil são efetivos, esse número cai para apenas 44% entre os jovens.

Segundo o Inquérito Internacional sobre Ensino e Aprendizagem da OCDE (TALIS) de 2024, apenas 14% dos(as) professores no Brasil têm até 30 anos. Esse número baixo ocorre devido ao projeto de desvalorização da carreira docente em todo o país, que desestimula a entrada de novos(as) professores(as). Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) apontam que apenas 2,4% dos estudantes brasileiros de 15 anos demonstram interesse em seguir a profissão docente.

 

Para Ana Bonina, é preciso garantir concursos públicos regulares, carreira estruturada e condições dignas de trabalho para atrair a juventude para a carreira

 

“Esses dados revelam um processo contínuo de desvalorização da carreira docente, que afasta os jovens do magistério e compromete o futuro da educação pública. Por isso, a presença da juventude no Congresso da CNTE foi estratégica para fortalecer a luta coletiva e reafirmar a educação como um projeto de país”, disse a diretora do Sinpro Ana Bonina.

Para a sindicalista, um dos caminhos mais efetivos para reverter esse cenário é a realização de concursos públicos para o magistério, associado a políticas permanentes de valorização da carreira docente.

“É preciso garantir concursos públicos regulares, carreira estruturada e condições dignas de trabalho para que os jovens professores ingressem, permaneçam e se desenvolvam na profissão, fortalecendo a escola pública e a valorização do magistério”, afirmou Ana Bonina.

O antídoto é a juventude

A juventude é uma força política ativa que consolida o sentido de “valorização” do magistério público como a união de pautas materiais (salário, carreira, condições) a projetos para uma prática pedagógica eficaz e sustentável. Sua participação na categoria do magistério se mostra fundamental para garantir o próprio futuro da profissão docente e da escola pública.

Para a diretora do Sinpro Ana Bonina, o papel da juventude na carreira docente indica uma saída demográfica para uma profissão em risco e amplia a força motriz política que fortalece a resistência organizada.