Janeiro Branco | Saúde mental e a negligência do governo do DF
O Janeiro Branco propõe reconhecer a saúde mental como fundamento da vida cotidiana. Ao se priorizar a saúde mental de trabalhadores e trabalhadoras, lembramos as diversas modalidades de doenças psíquicas resultantes de uma dinâmica de trabalho adoecedora.
No final de maio do ano passado, a professora paranaense Silvaneide Monteiro Andrade teve um infarto durante seu horário de trabalho. Ela dava aula de português no Colégio Estadual Cívico-Militar Jayme Canet, em Curitiba (PR), e foi chamada à sala da equipe pedagógica. Foi cobrada por seu desempenho e por não cumprir metas da plataforma de educação estadual. Não resistiu.
A doença neoliberal
Cobranças. Metas. Escolas militarizadas. Turmas superlotadas em salas claustrofóbicas, com pouca ventilação. Condições de trabalho desumanas, que comprometem a saúde física e também a saúde mental. É realidade no Paraná, e também é realidade no Distrito Federal de Ibaneis e Celina.
“Lembramos ao governo do Distrito Federal que cuidar da saúde de trabalhadores é obrigação do empregador. O governo Ibaneis/Celina adoece e não cuida nem da população do DF nem da categoria do magistério”, afirma Élbia Pires, coordenadora da Secretaria de Saúde do Sinpro. “Estamos há mais de seis anos com a segunda pior cobertura de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do país. São apenas 18 unidades em todo o DF, uma relação de 0,54 CAPS para cada 100 milhabitantes”, aponta a psicóloga Luciane Kozicz, que coordena a Clínica do Trabalho do Sinpro.
As condições de trabalho impostas a professores(as) e orientadores(as) são uma escolha política. Governantes que seguem pela lógica capitalista desumanizada oferecem exploração, baixa remuneração, e uma visão da docência como algo mecânico, com metas estabelecidas e guiada por resultados em números, e não em aprendizados.
Do lado do trabalhador, as consequências dessa escolha política é uma jornada de trabalho exaustiva. Para muitos, manhã, tarde e noite. E ainda há o quarto turno: em casa, corrigindo provas, lançando notas, preenchendo formulários.
“Lembramos ao governo do Distrito Federal que cuidar da saúde de trabalhadores é obrigação do empregador. O governo Ibaneis/Celina adoece e não cuida nem da população do DF nem da categoria do magistério” – Élbia Pires, diretora do Sinpro-DF
Do lado dos estudantes, deposita-se conteúdo na cabeça de crianças e adolescentes, que o devolvem em forma de provas com a função exclusiva de verificar se o conteúdo foi registrado. Nessa simulação de aprendizagem, exibe-se de forma falseada a evolução, o desenvolvimento, o crescimento. Ficam de fora desse processo a reflexão, o raciocínio, o saber olhar o mundo.
Governantes distantes da sala de aula impõem metas que ignoram a realidade escolar. O conteúdo vira maquiagem, a progressão vira farsa, e o professor, cúmplice forçado de um teatro que só agrava o abandono.
Clínica do Trabalho e as lacunas da negligência do GDF
O sindicato é a resistência a esse modelo neoliberal de adoecimento do trabalhador e da trabalhadora. É com ele que se avança e se conquista desde direitos básicos a outras questões (que não são luxo, são direitos). Dignidade de trabalho, para além de salários decentes, é também garantir que o ambiente de trabalho seja acolhedor.
Desde 2018, o Sinpro busca preencher a lacuna deixada pelo GDF na negligência com professores(as) e orientadores(as) educacionais, e oferece à categoria a Clínica do Trabalho. “Buscamos olhar com carinho para nós mesmos e também para os colegas ao nosso redor. O acolhimento também é uma ferramenta fundamental para combater o adoecimento psíquico que leva tantos de nós a nos afastarmos de nossas atividades”, lembra diretora do sindicato Élbia Pires.
A Clínica do Trabalho do Sinpro promove atendimento psicológico individual para professores(as) e orientadores(as) educacionais e realiza palestra nas escolas. Para saber mais, clique no botão abaixo:
Clínica do Trabalho
Edição: Vanessa Galassi
