Festival da Agricultura Familiar termina com defesa de direitos do trabalhador rural

“Este festival é mais que uma feira, é trincheira de luta e esperança para o povo agricultor”, afirmou Josana Lima, coordenadora-geral da Contraf-Brasil, no 2º Festival Nacional da Agricultura Familiar (Fenaf), realizado em Brasília. A fala resume o espírito que tomou conta do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade entre os dias 25 e 27: celebração dos 20 anos da Contraf-Brasil, afirmação da agricultura familiar como força social e produtiva e mobilização permanente em defesa da reforma agrária e das políticas públicas para o campo.
Durante três dias, o público teve acesso a produtos agroecológicos, artesanatos, gastronomia regional, tecnologias sociais e saberes tradicionais que simbolizam a diversidade do setor. A feira funcionou diariamente, aproximando produtores e consumidores e reforçando a importância econômica e social do trabalho realizado no campo. A programação cultural também atraiu grande público, com apresentações como Oxente Cerrado, João Nabath, Serra Mix e JR Nordestinamente.
Representatividade nacional
Para Josana Lima, o festival se destacou pela forte representatividade territorial. Agricultores e agricultoras de 15 estados participaram da segunda edição: Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Goiás, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, entre outros que integram a rede da agricultura familiar no país.
Ao todo, 130 agricultores e agricultoras estiveram representados por associações, cooperativas, sindicatos e iniciativas produtivas que fortalecem a organização comunitária no campo. Segundo Josana, mais do que números, o festival reafirma a identidade da agricultura familiar como força social organizada:
“O festival expressa nosso modo de vida e a produção das famílias agricultoras em diversas regiões. Ele valoriza, fortalece, promove renda e gera troca de experiências, que é fundamental para seguirmos avançando”, afirmou.
Duas décadas de história de luta e organização
As celebrações pelos 20 anos da Contraf-Brasil marcaram o festival. Josana lembrou que a história da entidade antecede sua formalização, com raízes na resistência à ditadura militar e na reorganização camponesa dos anos 1980 e 1990, até a consolidação nacional nos anos 2000.
“O festival faz parte dessa construção da Contraf-Brasil. Ele reafirma nosso papel, fortalece nossa caminhada e mostra que estamos organizados para seguir lutando”, destacou.
Diversidade de produtos
A feira apresentou uma variedade de produtos que refletem a produção regional das comunidades rurais. Entre os itens expostos estavam frutas, doces, cafés, cacau, derivados de castanha, mel, queijos, farinha, licores, cachaças, produtos do babaçu, artesanato e plantas ornamentais.
Para Josana, essa diversidade reafirma o caráter multifacetado da agricultura familiar:
“Isso expressa quem somos e o que produzimos. É o reflexo da nossa cultura, do nosso território e da força das famílias agricultoras.”
O papel produtivo do campo
A realização do festival ocorre em um momento em que a agricultura familiar reafirma sua centralidade na economia e na segurança alimentar do país.
Em 2025, segundo dados do governo, o setor reúne 3,9 milhões de unidades produtivas, gera 10,1 milhões de ocupações — o equivalente a 67% de toda a mão de obra rural — e responde pela maior parte da produção dos alimentos básicos consumidos no Brasil, como feijão, mandioca, leite, milho e hortaliças.
Mesmo ocupando apenas 23% da área produtiva nacional, abastece 90% dos pequenos municípios, movimenta bilhões na economia e cumpre papel decisivo em programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que destina 30% dos recursos à compra direta da agricultura familiar.
Reforma agrária e políticas públicas
A abertura oficial, no dia 25, contou com a presença de ministros, parlamentares e representantes de movimentos sociais. Entre eles estava o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que visitou estandes e conversou com agricultores e agricultoras.
Boulos destacou a trajetória da Contraf-Brasil e a importância da organização coletiva:
“É muito importante que vocês permaneçam organizados para avançar nas pautas do campo e do povo brasileiro”, afirmou, defendendo temas como a reforma agrária, o pacto da agricultura familiar e o fim da escala 6×1 para garantir mais descanso aos trabalhadores.
O ministro também anunciou que a Secretaria-Geral atuará para destravar políticas reivindicadas pelas entidades, entre elas a ampliação das contratações do Minha Casa Minha Vida Rural:
“Vamos fortalecer uma força-tarefa no Planalto para garantir as casas das trabalhadoras e dos trabalhadores do campo”, afirmou o ministro.
Festival se afirma como espaço permanente de mobilização
Ao longo do festival, o diálogo entre campo e cidade foi ampliado, aproximando consumidores urbanos da produção sustentável das comunidades rurais. A Contraf-Brasil avalia que a edição deste ano consolidou o Fenaf como um espaço nacional permanente de mobilização.
“O festival simboliza luta, resistência e futuro. Saímos fortalecidos para seguir ampliando a voz das famílias agricultoras”, afirmou Josana Lima.
Fonte: CUT
