Fátima Silva encerra Congresso do SINTEP-MT com alerta sobre IA e defesa da escola
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, participou, de 19 a 22 de fevereiro, do XIX Congresso Estadual do SINTEP-MT, realizado no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. Convidada para integrar a mesa de encerramento do evento, a dirigente destacou os desafios da categoria diante do avanço da Inteligência Artificial e reforçou a importância da organização sindical na defesa da educação pública.
Principal instância de deliberação do sindicato, o Congresso reuniu educadores e educadoras para analisar a conjuntura política e sindical, discutir os rumos da educação pública e fortalecer a luta em defesa dos direitos humanos. Ao longo da programação, foram promovidos debates, plenárias, oficinas temáticas e momentos de troca de experiências, consolidando o espaço como estratégico para a construção coletiva do projeto de educação defendido pela categoria.
Ao longo da programação, foram debatidos temas centrais para o presente e o futuro da educação brasileira, como o papel da educação enquanto direito humano, a relação entre mídia e democracia diante das manobras da classe dominante, a valorização profissional no contexto do Plano Nacional de Educação (PNE), além das denúncias sobre a privatização de recursos públicos e o avanço das parcerias público-privadas (PPPs) na América Latina. Também estiveram na pauta os impactos da Inteligência Artificial no mundo do trabalho e no sindicalismo, além de oficinas temáticas voltadas à análise sindical e às políticas educacionais.
Encerramento com foco na IA e no papel da categoria
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, participou do encerramento do Congresso, integrando a mesa do painel “IA, mundo do trabalho e sindicalismo”, ao lado do professor doutor em Educação Daniel Figueiredo de Oliveira, da Universidade Federal da Paraíba.
Em sua fala, Fátima reforçou que a identidade dos educadores se constrói na memória afetiva e formativa dos estudantes. Ao comentar as apresentações culturais realizadas por alunos durante o evento, destacou a potência da escola pública mato-grossense.
“A produção da educação pública de Mato Grosso não cabe dentro de uma homeschool, da escola militarizada ou de espaços sem gestão democrática.”
Para a presidenta, a defesa da escola pública passa, necessariamente, pela valorização da gestão democrática e pelo reconhecimento da educação como espaço de formação humana integral, algo que não pode ser reduzido a modelos privatizantes ou autoritários.
IA, contexto e consciência de classe
Ao abordar o avanço da Inteligência Artificial, Fátima alertou para os riscos de um conhecimento “pasteurizado” e descolado da realidade social. Segundo ela, compreender o contexto em que a categoria está inserida é fundamental para enfrentar os novos desafios.
“Nossa inserção não é a de donos das Big Techs, mas a de quem é transportador de conhecimentos. Só saberemos lutar e trabalhar com a IA se entendermos esse contexto.”
A fala destacou a necessidade de apropriação crítica das tecnologias, sem abrir mão da dimensão humanizadora da educação e do papel social dos trabalhadores e trabalhadoras da educação.
Organização como instrumento de resistência
Fátima também ressaltou que a força da categoria está na organização coletiva, que se estrutura desde as bases municipais, passando pelas subsedes sindicais, até as articulações nacionais e internacionais.
Ao citar a atuação em rede, mencionou a própria CNTE, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Internacional da Educação para a América Latina (IEAL) e a Internacional da Educação (IE), como estruturas fundamentais na defesa da educação pública enquanto projeto de sociedade.
“É a nossa organização que fará a defesa da educação pública, contra a mercantilização da educação e pela valorização da sua gente com a educação humanizadora”, destacou.
O XIX Congresso do SINTEP-MT reafirmou, assim, a centralidade da luta sindical na garantia do direito à educação pública, democrática e socialmente referenciada. A participação de Fátima Silva no encerramento consolidou a mensagem de que, diante dos desafios tecnológicos e políticos, a unidade da categoria é o principal instrumento de resistência e transformação.
Fonte: CNTE
