Escolas do DF desenvolvem talentos de estudantes com altas habilidades

Um levantamento realizado pela Mensa Brasil apontou que o DF tem cerca de 305 estudantes com altas habilidades. O número pode ser ainda maior, se forem levadas em consideração as subnotificações. O professor Octávio Rold, da Escola Classe 115 Norte, que atua com o segmento, destacou os desafios enfrentados por docentes e alunos(as) da rede pública de ensino ao longo do percurso.

No DF, há pelo menos 40 salas especiais para o segmento — as chamadas Salas de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação. O atendimento é dividido em salas de atividades, que dão suporte aos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), e salas específicas — voltadas a estudantes do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. Nesta última, o trabalho é desenvolvido por áreas do conhecimento: artes, exatas, humanas, linguagens e outras. As aulas, com caráter suplementar, são realizadas no contraturno do ensino regular.

O acesso às salas de recursos começa com um processo estruturado de identificação que envolve diferentes profissionais. Inicialmente, o(a) estudante deve ser indicado por um responsável ou por um(a) professor(a), que preenche uma ficha de indicação. Em seguida, passa por avaliação de uma equipe multidisciplinar, com base na Teoria dos Três Anéis, proposta por Joseph Renzulli. Confirmado o perfil de AH/SD, o discente é matriculado em uma sala de recursos, onde pode permanecer até o fim de sua trajetória escolar na rede pública.

“Algumas características que costumam aparecer são curiosidade intensa, grande interesse por determinados temas, facilidade para aprender com rapidez, pensamento criativo, vocabulário avançado para a idade, capacidade de fazer conexões complexas entre ideias e tendência a questionar ou investigar profundamente determinados assuntos”, explicou Octávio.

Inclusão e pertencimento

Mais do que oferecer acesso a um ambiente que favorece o desenvolvimento de habilidades distintas, as salas de recursos estimulam o sentimento de pertencimento do estudante ao ambiente escolar e tornam a escola mais atrativa.

“Em alguns casos, o estudante passa a ser visto como desatento, inquieto ou desinteressado, quando, na verdade, ele apenas não encontra espaço para desenvolver suas capacidades ou aprofundar seus interesses”, explicou o educador.

Desafios

Apesar do crescimento mútuo e da troca de aprendizados significativos, o trabalho com estudantes com altas habilidades e superdotação enfrenta desafios na rede pública de ensino. Para Octávio, um dos principais desafios é a própria identificação desses alunos(as).

“Muitas crianças com altas habilidades passam anos sem serem reconhecidas, especialmente aquelas que não se encaixam no estereótipo do aluno que apenas tira notas altas”, afirmou.

Além da identificação, outro ponto destacado pelo educador é a necessidade de ampliação da estrutura de atendimento e da formação de educadores(as) para oferecer um ensino especializado de qualidade.

“É essencial fortalecer as salas de recursos e garantir investimento em materiais e infraestrutura adequados. Como o próprio nome indica, as salas de recursos de altas habilidades precisam contar com recursos diferenciados que favoreçam ambientes estimulantes, capazes de despertar a criatividade, a investigação e o interesse desses estudantes”, disse.