Formatura na Escola de Meninos e Meninas do Parque celebra resistência, sonhos e educação transformadora

A formatura dos(as) estudantes da Escola de Meninos e Meninas do Parque foi marcada por emoção, reconhecimento de trajetórias e afirmação do papel da educação como direito e instrumento de transformação social. Realizada no Estacionamento 06 do Parque da Cidade, na manhã de sexta-feira (12/12), a cerimônia reuniu estudantes, educadores(as) e comunidade escolar em um momento que simbolizou muito mais do que a conclusão de uma etapa, e sim a celebração da permanência, da resistência e da conquista de quem acreditou na escola como caminho possível.

Em seu discurso, a diretora Amélia Cristina destacou o caráter humanizado, emancipatório e vivo da instituição. Ela disse que a escola é um espaço em que os saberes são compartilhados, os(as) estudantes são protagonistas de suas próprias histórias e professores e professoras atuam como mediadores(as) do conhecimento, aprendendo e ensinando de forma coletiva. Ela ressaltou que a formatura é resultado de um processo de resistência cotidiana, especialmente para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Esta sala cheia é feita de resistência de quem corre atrás dos estudos depois de uma noite exaustiva, de quem enfrenta o frio, a fome, a rua, o medo; de quem luta contra a invisibilidade e acredita que a educação é um direito, não um favor”, afirmou.

Amélia pontuou que a EJA não ocupa um lugar secundário, mas se consolida como um espaço de possibilidades, reconstruções e recomeços, em que estudantes são acolhidos integralmente com dignidade. Também destacou os discursos da professora de história e filosofia Gabrielle Pereira da Conceição e do professor de geografia Peterson Couto Araújo, que representaram educadores(as) e estudantes na formatura de 2025 e expressou a alegria dos(as) formandos(as) e a retomada de sonhos interrompidos, como o de um estudante da quarta etapa da EJA que realizou o desejo de vestir a beca na cerimônia.

Ao encerrar sua fala, Amélia Cristina agradeceu a todos e todas que acreditam na educação como instrumento de mudança de vidas. “Não é sobre a quantidade de formandos, mas sobre o significado da formatura para cada estudante. Seguimos por uma estrada de amorosidade, de desafios, mas construída por quem acredita de verdade na educação”, concluiu.

Paraninfos destacam resistência e dignidade

Paraninfos da turma, a professora Gabrielle e o professor Peterson destacaram a resistência e a dignidade dos(as) formandos(as), ao relacionarem a luta histórica de povos indígenas e quilombolas à perseverança dos estudantes pelo direito à educação. A diretora do Sinpro, Regina Célia, contou que ouviu atenta e emocionada o discurso dos paraninfos e destacou o segundo e o 11º parágrafos que resumem, para a sociedade, parte do trabalho pedagógico desenvolvido na escola, marcado pelo acolhimento, educação humanizada e compromisso com a dignidade dos(as) estudantes.

No segundo parágrafo, a professora Gabrielle e o professor Peterson afirmam: “Iremos começar este discurso, lembrando a força das resistências que moldam a história do nosso país, somos herdeiros de povos que nunca se curvaram, os povos indígenas: Yanomami, Pataxó, Guarani, Xavante, tantos que ainda hoje defendem a terra, a água, a floresta, como o Santuário dos Pajés que resistem dia a dia até hoje, a primeira terra indígena demarcada dentro do Distrito Federal. Povos quilombolas que construíram comunidades inteiras baseadas na liberdade quando tudo ao redor insistia na escravidão. Povos ribeirinhos, caiçaras, sertanejos, caboclos, africanos e afro-brasileiros que desde sempre sustentam este país com suas mãos, seus saberes e suas histórias — mesmo quando o nosso próprio país insiste, por vezes, em esquecê-los”.

No 11º parágrafo, eles asseguram que os(as) estudantes da Escola dos Meninos e Meninas do Parque ilustram o fato de a educação ser também reconhecimento: “A formatura não apaga o racismo, a misoginia, a desigualdade, mas prova que vocês caminham apesar delas. A formatura não resolve todas as questões da vida — mas marca, com força, que vocês sabem lutar. E antes de encerrarmos, eu peço: respirem. Sintam este instante. Guardem dentro do peito a certeza de que vocês são protagonistas de suas histórias”. Clique aqui e confira o discurso na íntegra.

A professora Gabrielle e o professor Peterson ressaltaram, também, conquistas do ano letivo, com ações antirracistas, debates sobre direitos das mulheres, oficinas sobre origens africanas e projetos científicos, além de referências a Conceição Evaristo e Paulo Freire, reforçando o caráter popular e humanizador da escola e o protagonismo estudantil.

“A EJA é espaço de reconstrução, de cura e de recomeços, onde aprender é se reconhecer, se expressar e enfrentar as desigualdades com dignidade”, afirmou a professora Gabrielle. O professor Peterson destacou ainda que a formatura representa um ato de resistência: “Mesmo diante do cansaço, do medo e da invisibilidade, vocês vieram, ficaram e insistiram. São protagonistas das próprias histórias, e caminham juntos como uma comunidade educativa que transforma realidades”.

O Sinpro destaca que a formatura reafirma a importância de uma rede pública de ensino do Distrito Federal fortalecida e comprometida com projetos educativos de qualidade. Regina Célia observa que é na escola pública, gratuita, laica, libertadora, inclusiva e socialmente referenciada que se constrói a possibilidade real de transformação de vida de todas as pessoas, sobretudo as que enfrentam desde cedo o abandonado social, ficam às margens da sociedade e enfrentam a extrema desigualdade.

“Experiências como a da Escola de Meninos e Meninas do Parque mostram que a educação pública é um instrumento essencial de dignidade, permanência e justiça social, portanto é essencial ser humanitária, como exemplifica a MMPARQUE em seus fazeres pedagógicos diários”, conclui a diretora do Sinpro.