Educadoras da América Latina se reúnem na Bahia por igualdade e democracia

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A cidade de Salvador (BA) sedia, nesta terça (3) e quarta-feira (4), o Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação da Internacional da Educação para a América Latina (Ieal), realizado no Hotel Fiesta.

O evento reúne lideranças sindicais, educadoras e representantes governamentais de diversos países para debater igualdade de gênero, combate à violência e fortalecimento da atuação das mulheres nos sindicatos e na educação pública.

A mesa de abertura contou com a participação de Fátima Silva, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Heleno Araújo, vice-presidente da Internacional da Educação; Roberto de Leão, vice-presidente da Internacional da Educação América Latina (IEAL); Regina Witt, Diretora de Relações Internacionais da PROIFES; Edilene Arjoni, coordenadora da Secretaria da Mulher da CONTEE; Rowena Brito, Secretária de Educação do Estado da Bahia;  Neusa Cadore, Secretária das Mulheres do Estado da Bahia e Valdir Silva, presidente da ASPROLF e da FTE-BA.

Geovana Albuquerque/CNTEGeovana Albuquerque/CNTE

Ao dar as boas-vindas às delegações internacionais, Fátima Silva destacou o orgulho de realizar o encontro na Bahia e reafirmou a identidade latino-americana das educadoras.

“Eu sou trabalhadora da educação e tenho muito orgulho de estar na Internacional da Educação. Estamos na Bahia, e é tão bom viver essa energia”, afirmou.

Fátima ressaltou que as mulheres da educação estão presentes nas principais lutas sociais do continente. “Somos mulheres da América Latina. Somos educadoras. Fazemos da nossa profissão a luta na defesa da educação pública em todo o continente. Estamos presentes nas lutas por autonomia, soberania e democracia.”

Em tom firme, reforçou o compromisso com a paz e a autodeterminação dos povos. “Nós mulheres somos pela paz. Não existe guerra santa, não existe guerra justa. Reafirmamos nosso compromisso com a soberania do nosso continente e com o bem-estar do nosso povo.”

Ao destacar o simbolismo da Bahia, ela valorizou a ancestralidade e a diversidade do território. “Estamos na Bahia de todos os santos, de todos os orixás, de todas as cores e sabores. Terra de mulheres guerreiras, de ancestralidade viva, de quilombolas, indígenas e de gente que respeita sua história.”

Para a presidenta da CNTE, o encontro fortalece a unidade das trabalhadoras da educação na América Latina. “Somos mulheres de luta, de todas as razões e das justas causas dos nossos países. Seguiremos comprometidas com a defesa constante da soberania, da democracia e da educação pública.”

Representando a Costa Rica, Gilda Montero abriu as falas destacando a força coletiva das mulheres da educação na América Latina.

“Somos mulheres diversas, jovens, adultas, indígenas, rurais, urbanas, mulheres LGBT e mais. Somos cuidadoras, trabalhadoras incansáveis que sustentam o mundo”, afirmou. Ela ressaltou que a mobilização é um ato de amor pela profissão e pelas comunidades, reforçando que a luta por condições dignas de trabalho e por orçamento adequado à educação está diretamente ligada à defesa dos direitos de meninas, meninos e jovens.

“Somos fortes, valentes, valiosas. E juntas, absolutamente juntas, ninguém nos detém nem nos deterá”, declarou.

Violência de gênero

Heleno Araújo trouxe dados alarmantes sobre a violência de gênero no ambiente escolar brasileiro. Segundo ele, em 2024 foram registrados 15.759 casos de violência interpessoal em instituições de ensino, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. As meninas representam 58% das vítimas nos registros gerais e 84% nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

O dirigente também chamou atenção para o assédio cotidiano nas escolas: 70% dos docentes do Ensino Fundamental II e Médio já presenciaram comentários sexualizados sobre o corpo de alunas, e 42% relataram episódios de meninos tocando meninas sem consentimento.

Heleno destacou ainda o lançamento do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio pelo governo federal e defendeu que os sindicatos incorporem de forma prioritária a pauta do combate à violência contra mulheres e meninas. “É preciso repensar a estrutura sindical e tratar esse tema como central na nossa ação”, afirmou.

Roberto Leão reforçou o papel estratégico da escola na mudança da cultura machista. Para ele, o enfrentamento às desigualdades de gênero precisa começar desde a educação infantil.

“A escola tem papel fundamental na transformação dessa cultura milenar que submete as mulheres. Não basta termos leis importantes, como a Lei Maria da Penha. Precisamos mudar mentalidades”, pontuou.

Ele defendeu o empoderamento das mulheres e a participação ativa de homens aliados na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Neusa Cadore, destacou que não há democracia plena sem a presença efetiva das mulheres nos espaços de decisão. Ao lado da secretária estadual de Educação da Bahia, Rowenna Brito, reafirmou o compromisso do governo baiano com a educação pública, a equidade de gênero e o fortalecimento das políticas para as mulheres.

“Cada vez que uma professora incentiva uma menina a ser cientista, dirigente ou presidenta, estamos mexendo com a estrutura da sociedade”, afirmou Neusa.

Com o tema voltado à ampliação da presença e da voz das mulheres nos sindicatos e nos espaços de poder, o Encontro Regional reafirmou o compromisso da Internacional da Educação América Latina com a construção de uma educação emancipadora, democrática e feminista.

Fonte: CNTE