CUT é reeleita para Secretaria-Geral da Coordenadora das Centrais do Mercosul

Nesta terça-feira (23), o secretário adjunto de Relações Internacionais da CUT, Quintino Severo, foi reconduzido ao cargo de secretário-geral da Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS). A decisão foi tomada em reunião da direção da entidade, que reúne as principais centrais sindicais de países como Brasil, Chle, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. O novo mandato terá duração de dois anos.
A permanência de Quintino na função ocorre em um momento considerado estratégico para o movimento sindical latino-americano, marcado por disputas em torno de modelos de desenvolvimento, acordos comerciais e pelo avanço de forças de extrema direita no continente. Para a CUT, manter a Secretaria-Geral da Coordenadora reforça o papel da central brasileira na articulação regional da classe trabalhadora.
Ao comentar a recondução, Quintino destacou a importância política do posto para o sindicalismo brasileiro e para a construção de uma agenda comum no Cone Sul. “Para nós da CUT Brasil, para o movimento sindical do Brasil, manter a coordenação, continuar na Secretaria-Geral da Coordenadora é extremamente importante, porque temos a possibilidade de construir uma boa referência da luta de classe na região”, afirmou.
O dirigente também apontou os desafios do novo mandato, com destaque para o acompanhamento das negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia. Segundo ele, o atual formato do acordo exclui a participação dos trabalhadores e da sociedade civil, ao contrário do que ocorre nas instâncias internas do Mercosul.
“Vai exigir muita atenção do movimento sindical na perspectiva de construir um espaço onde a gente possa atuar, porque o acordo hoje não prevê esse espaço. Diferente do Mercosul sociolaboral, que tem fórum bipartite e comissão tripartite. Então será uma tarefa grande para a Coordenadora, com a possibilidade de construir uma aliança com o governo brasileiro para pressionar o Mercosul a criar esse espaço de participação”, explicou.
Quintino ressaltou ainda que a atuação da Coordenadora será decisiva para garantir que os interesses da classe trabalhadora sejam considerados em processos de integração econômica e comercial. “Temos essa tarefa e sabemos a importância que ela tem para todos nós”, completou.
CCSCS
A Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul é um organismo que reúne centrais sindicais de países como Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Venezuela, com atuação voltada à articulação política e sindical no âmbito do Mercosul. A CUT integra a entidade e tem papel ativo em suas iniciativas.
Entre as principais funções da Coordenadora estão a construção de posições comuns entre os trabalhadores da região, o diálogo com governos e parlamentos, a defesa da democracia, dos direitos humanos e dos direitos trabalhistas, além do acompanhamento de políticas econômicas que impactam o mundo do trabalho.
A entidade também atua na formulação de propostas para integração regional, como a livre circulação de trabalhadores, a harmonização de direitos sociolaborais e o fortalecimento da indústria nos países do bloco. Outro eixo central é a análise crítica de acordos internacionais, como o tratado entre Mercosul e União Europeia, considerado estratégico e, ao mesmo tempo, sensível para a classe trabalhadora.
Nesse contexto, a recondução de Quintino Severo reforça a continuidade de uma linha de atuação que combina articulação internacional, incidência política e defesa de direitos. Para o dirigente, além das disputas econômicas, há um elemento central que orienta a ação sindical na região: a defesa da democracia. “Manter acesa a chama da resistência, da memória e da justiça é fundamental para que os períodos sombrios não se repitam e para enfrentar a ofensiva da extrema direita”, tem defendido.
A nova gestão da Coordenadora deverá aprofundar essa agenda, ampliando o protagonismo do movimento sindical no Mercosul e fortalecendo a integração entre os trabalhadores do Cone Sul diante dos desafios comuns da região.
Fonte: CUT
