CUT defende inclusão digital e fim da escala 6×1 na Conferência das Cidades

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) levou para o centro do debate urbano, nesta quarta-feira (25), uma preocupação concreta: a tecnologia precisa melhorar a vida de quem trabalha. A discussão ocorreu em uma das oito salas temáticas da 6ª Conferência Nacional das Cidades.
A chamada Mesa 8 abordou transformação digital, segurança cidadã e acessibilidade tecnológica, além do enfrentamento ao controle armado em territórios populares. Representando a CUT, o secretário-geral Renato Zulato defendeu que inovação e justiça social caminhem juntas.
Em um auditório marcado por discussões sobre o futuro das cidades, Zulato trouxe o debate para o cotidiano da classe trabalhadora. Ele propôs uma mobilização regional voltada à geração de oportunidades, com foco na juventude.
“O fim da escala 6×1 pode gerar mais empregos e garantir ao trabalhador tempo para estudar, cuidar da saúde e ter lazer”, afirmou Renato Zulato.
Para ele, reduzir jornadas exaustivas é uma medida concreta para abrir vagas e permitir que trabalhadores tenham tempo para qualificação e convivência familiar. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de qualidade de vida”, afirmou, ao defender mudanças estruturais.
Zulato também alertou para os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Segundo ele, a transformação digital já altera rotinas produtivas e pode ampliar desigualdades se não houver políticas públicas de qualificação.
“Estamos vivendo a era da inteligência artificial. Se não houver reflexão e políticas de inclusão, parte da população será excluída dos novos processos produtivos e sociais”, disse.
O secretário reforçou que inclusão digital não significa apenas acesso à internet ou a equipamentos. Envolve formação, infraestrutura e oportunidades reais de inserção no mundo do trabalho. “Inclusão social precisa caminhar ao lado da inclusão digital”, afirmou.
Ao tratar da realidade urbana, Zulato criticou a fragmentação dos debates. Ele chamou de “conferências de caixinha” os encontros que isolam temas como moradia, mobilidade e emprego.
“A questão da moradia e a retirada da população das ruas dependem diretamente da existência de emprego e de mobilidade social”, afirmou.
A fala dialoga com uma visão defendida historicamente pela CUT: não há política urbana eficaz sem trabalho decente. Moradia, saneamento e transporte público conectam-se diretamente à renda e à estabilidade do emprego.
Fonte: CUT
