Crise fiscal não pode ser paga com arrocho aos professores e sucateamento das escolas

Escolhas políticas encaminhadas pelo governo Ibaneis/Celina levaram a uma das maiores crises fiscais da história do Distrito Federal. Mesmo com um aumento na arrecadação e com a queda relativa dos custos com pessoal, o déficit do GDF em 2025 foi de R$ 926,5 milhões.

Como é de praxe em governos como o de Ibaneis e Celina, a resposta oferecida à crise é fazer com que servidoras e servidores paguem a conta. Na educação, o impacto já é grande: R$ 49 milhões em emendas escolares canceladas, paralisando reformas, projetos pedagógicos e processos de aquisição de equipamentos; restrição à conversão de licenças-prêmio em pecúnias, contrariando um direito adquirido; paralisação de contratos; corte em itens elementares, como a impressão de nomes em uniformes escolares.

E o problema pode ir muito além: ficam sob risco a reposição inflacionária nos salários; a infra-estrutura das escolas e as condições de trabalho; as promoções e progressões na carreira; os direitos dos profissionais da educação de forma geral.

Mas vale lembrar que a renúncia fiscal, no Distrito Federal, é altíssima e tem crescido muito sob o governo de Ibaneis. Para 2026, a previsão é de R$ 10,2 milhões. Quando Ibaneis assumiu o GDF, em 2019, era de R$ 1,9 milhão.

Desde o final de 2025, o Sinpro já denunciava a crise que se aproximava, quando R$ 2 bilhões da educação e da saúde “sumiram” da Lei de Diretrizes Orçamentárias (julho) para a Lei Orçamentária Anual (dezembro) – R$ 900 milhões da educação e R$ 1,1 bilhão da saúde. Antes disso, ainda em março, o Sinpro já via com preocupação as notícias de aquisição do Banco Master pelo BRB.

A crise aberta com o desastre desse processo trouxe ainda mais riscos. Com a necessidade de aporte do governo para salvar o banco, os recursos da educação, da saúde e outras áreas de atendimento fundamental à população podem sofrer redução. Embora a vinculação constitucional proteja essa verba, o que está além do piso pode sofrer cortes, e provavelmente o governo atuará para isso.

Sucatear a escola pública sempre pareceu ser um projeto de Ibaneis e Celina. Basta observar o tratamento dispensado à categoria, os cortes nos investimentos, as negativas em negociar, os projetos da base aliada do governo. Agora, o governador pode estar com a faca e o queijo na mão.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF anuncia desde já que haverá mobilização e luta para que a crise fiscal produzida por Ibaneis e Celina não seja paga com o sucateamento das escolas públicas e a imposição de arrocho aos profissionais da educação.