CNTE apoia greve em BH e denuncia descaso na educação municipal

Os/as trabalhadores/as em educação de todo o país manifestam solidariedade irrestrita à greve deflagrada pelos profissionais da educação de Belo Horizonte, em luta pela dignidade, pela qualidade do ensino público e pelo cumprimento de direitos historicamente conquistados. A paralisação que se iniciou nesse dia 27 de abril não é um ato de capricho ou intransigência. É a resposta legítima de educadores e educadoras que, dia após dia, enfrentam um cenário de abandono sistemático das escolas públicas.
Os motivos que levam à greve revelam uma realidade que não pode ser ignorada na capital mineira. As escolas funcionam com quadros incompletos, apesar de concursos vigentes. Assistentes administrativos, bibliotecários e outros profissionais essenciais faltam nas unidades escolares, sobrecarregando quem permanece. Os cortes orçamentários — entre 25% e 50% — não são números abstratos. São salas sem vidros, bibliotecas sem livros, cantinas sem alimentos adequados, escolas sem condições básicas de funcionamento. É a negação prática do direito à educação de qualidade. Na educação infantil, a tentativa de substituir professores/as por monitores terceirizados ou estagiários não é uma inovação pedagógica, mas uma tragédia anunciada.
A transferência do Atendimento Educacional Especializado para organizações da sociedade civil representa um risco real de privatização de um serviço que é responsabilidade pública. Estudantes com deficiência não podem ser reféns de terceirizações que fragmentam o acompanhamento pedagógico e transferem para organizações Sociais atribuições que, por lei, cabem a professores/as concursados/as. O caos nos serviços gerais — com empresas terceirizadas trocadas sem planejamento, deixando trabalhadores/as sem pagamento, sem vale-transporte, sem segurança — é uma afronta à dignidade humana.
A greve dos/as educadores/as de Belo Horizonte é a voz de quem não foi ouvido. Diálogo negado, demandas ignoradas e promessas não cumpridas levaram à paralisação. A administração municipal escolheu o silêncio quando deveria ter escolhido a negociação. Reconhecemos que a educação pública enfrenta pressões orçamentárias reais. Mas essas pressões não justificam a precarização do trabalho docente, o abandono das escolas ou a privatização de serviços essenciais. A educação é um investimento, não uma despesa. Toda real melhoria na qualidade de vida, toda redução de desigualdades, toda construção de cidadania passa pela educação.
Apoiamos a luta desse/as profissionais da educação porque apoiamos o direito de cada criança e adolescente da cidade de Belo Horizonte a uma educação pública, gratuita, de qualidade, em escolas bem equipadas, com professores/as valorizados/as e dignamente remunerados. Apoiamos porque acreditamos que nenhuma sociedade se constrói sem educação, e nenhuma educação se constrói sem respeito aos que a fazem. Que a administração municipal de Belo Horizonte ouça o clamor dos/as educadores/as.
Toda nossa solidariedade a esse importante movimento grevista e ao Sind-REDE/BH, que representa os educadores e educadoras da rede municipal de ensino de Belo Horizonte e, por todos e todas, lutam por dignidade!
Brasília, 29 de abril de 2026
Direção Executiva da CNTE
Fonte: CNTE
