Com “Café sem confisco”, Sinpro abre agenda de lutas de 2026 das aposentadas e aposentados

Na manhã desta sexta-feira (23), véspera do Dia da Aposentada e do Aposentado (24 de janeiro), o Sinpro realizou o primeiro evento do ano voltado exclusivamente às aposentadas e aos aposentados sindicalizadas(os): o “Café sem confisco”. O encontro, realizado no Auditório Paulo Freire, na sede da entidade no SIG (Setor de Indústrias Gráficas), reuniu dezenas de professoras(es) e orientadoras(es) educacionais para anunciar as lutas de 2026 e reforçar a mobilização nacional pelo fim do confisco das aposentadorias, com a suspensão das alíquotas previdenciárias impostas pela reforma da Previdência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A mesa que conduziu o debate contou com a participação da diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Rosilene Corrêa; das diretoras da Secretaria de Aposentados do Sinpro, Elineide Rodrigues (coordenadora), Izabela Cintra e Consuelita Oliveira; da diretora de Finanças, Márcia Gilda; e do advogado do sindicato, Lucas Mori. A abertura do evento foi feita por Elineide, que destacou o caráter nacional da luta e a urgência de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para destravar o julgamento das ações contra o confisco.

“Essa é uma luta contra o confisco das aposentadorias. Estamos fazendo essa luta aqui no Distrito Federal, mas também em conjunto com a CNTE e com os sindicatos filiados à nossa confederação em todo o país, pressionando o Supremo para desengavetar e votar esse processo. Desde a reforma da Previdência de 2019, tivemos quedas brutais nos salários, com dupla taxação e aumento de alíquotas, o que é um absurdo para aposentadas e aposentados que precisam de qualidade de vida, acesso à alimentação e a medicamentos. O sindicato seguirá firme, com atos, mobilização e atividades conjuntas, até derrubar esse confisco. Hoje também é um dia simbólico de homenagem porque quem construiu a educação merece valorização, respeito e dignidade”.

Em seguida, Rosilene Corrêa contextualizou a mobilização nacional articulada pela CNTE. Ressaltou que ações nos territórios fazem diferença real no andamento dos processos e na correlação de forças políticas. Ela lembrou que a história do movimento sindical comprova que a pressão organizada influencia decisões e que o desafio atual é manter viva a consciência de classe, inclusive dialogando com as novas gerações, em um cenário marcado pela desinformação, pela precarização do trabalho e pelo avanço de projetos ultraliberais.

“Quando a gente se levanta, vai para as ruas e dá o recado, somos ouvidos. Esse momento de encontro, de comemoração com luta, é fundamental. Precisamos olhar para trás para lembrar o que conquistamos e, ao mesmo tempo, seguir em frente, fortalecendo a mobilização. Sindicato tem que falar de política, sim, porque é na política que se decide a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores. Aposentados ou não, seguimos na luta, porque não somos inativos: somos parte essencial da transformação que o país precisa”, disse.

A coordenadora da Secretaria de Finanças do Sinpro, Márcia Gilda, ressaltou o papel histórico das aposentadas e aposentados na construção do sindicato e fez duras críticas às opções do governo Ibaneis-Celina, que colocam em risco fundos e instituições essenciais com impacto negativo para toda a categoria, como é o caso do Banco Master. “Cada um e cada uma de vocês pavimentou o caminho que fez do Sinpro esse grande sindicato. Já o governo Ibaneis-Celina faz escolhas: governa para os amigos, não para o povo, e coloca em risco instituições como o BRB e o IPREV. Isso afeta ativos e aposentados. A luta é árdua, mas nós não vamos retroceder um passo na defesa dos nossos direitos”.

O advogado do Sinpro, Lucas Mori, explicou a importância da luta da categoria contra o projeto ultraliberal em curso, exemplificou como ele prejudica a todas e todos, e destacou porque é importante uma decisão definitiva do STF para dar segurança jurídica à categoria e abrir caminhos para reparações. “Estamos há 6 anos aguardando esse julgamento. O mais importante agora é que o Supremo dê um desfecho final. O quanto antes isso acontecer, melhor, porque pode haver discussão sobre retroativos, mudanças legislativas e a forma de aplicação da decisão. Enquanto estivermos nesse limbo, não há definição. Por isso, a mobilização de todas e todos é fundamental para que o STF julgue e encerre o processo”, finalizou.