Categoria do DF é representada na nova direção executiva da CNTE
Com 93,76% dos votos, a Chapa 10 “Unidade para Lutar e Conquistar”, que reúne as tendências sindicais ArtSind, CSD, CTB, AE, MS, Avante, Intersindical e Bloco Alternativo, foi vitoriosa nas eleições para a Direção Executiva e Conselho Fiscal da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) para o quadriênio 2026-2030. A diretora do Sinpro-DF Berenice Darc e os ex-diretores do sindicato Rosilene Corrêa, Henrique Torres e Cláudio Antunes compõem o grupo presidido por Fátima Silva.
A direção eleita neste sábado (17/1) durante o 35º Congresso da CNTE tomará posse neste domingo (18/1) com o compromisso de fortalecer a luta por avanços reais para a educação pública e seus profissionais.
A eleição de Fátima Silva tem peso simbólico, especialmente por se tratar de uma categoria composta majoritariamente por mulheres. Ela é a segunda mulher a presidir a CNTE em toda a história da entidade. A primeira foi Juçara Dutra Vieira (2002–2008).

Rosilene Côrrea, ex-dirigente do Sinpro, foi reconduzida para a Secretaria de Finanças. Ela destaca o papel estratégico da CNTE na conquista de direitos para o magistério público e reforça a importância da luta unificada dos trabalhadores da educação. Como conquistas concretas dessa unidade, ela cita a Lei do Piso do magistério público e a visão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da Lei federal 11.738/2008, que reserva 1/3 da carga horária do magistério para atividades extraclasse.
Para Rosilene Corrêa, “a boa gestão dos recursos da entidade sindical é imprescindível para que se tenha avanços na política”. “Continuarei atuando para que a Secretaria de Finanças não seja meramente técnica, apenas para fazer a gestão do patrimônio financeiro, mas adote uma lógica de que é necessária boa gestão financeira para avançar nos direitos de toda uma categoria”, disse.
A diretora do Sinpro Berenice Darc, reconduzida à direção executiva da CNTE, afirma que “a confederação luta por um projeto de nação onde a justiça social seja prioridade”. “A CNTE é um pilar fundamental na defesa da escola pública, dos seus profissionais e do futuro do nosso país. Em jogo está a garantia de um direito social básico: uma educação de qualidade, inclusiva, democrática, laica e socialmente referenciada”.
Ela destaca como lutas a valorização profissional com salários dignos e carreira consolidada; o fortalecimento do financiamento público da educação; o combate aos retrocessos e privatizações; e a defesa da liberdade de ensinar e aprender.
Henrique Torres, ex-diretor do Sinpro e atual secretário de Meio Ambiente da CUT-DF, aponta como principais desafios para a gestão da CNTE a recomposição das perdas obtidas desde o golpe de 2016. “Disputamos com as políticas neoliberais de precarização da educação, em defesa do trabalho digno, do Estado democrático; em defesa da valorização dos profissionais da educação, com a melhoria dos planos de carreira, incentivos à formação continuada, fortalecimento do piso do magistério e estabelecimento do piso para os funcionários, com carreira PPGE no DF. Também lutamos pela universalização da gestão democrática em todos estados e munícipios do Brasil, pela defesa da formulação dos currículos pelas comunidades escolares; além de lutar contra todo tipo de retrocesso democrático, em defesa da soberania e das políticas sociais”, disse.
O ex-diretor do Sinpro Cláudio Antunes vai compor a Direção Executiva Adjunta. Para ele, a nova gestão assume a entidade com o comprometimento de garantir a manutenção dos direitos do magistério público e de avançar em reivindicações históricas da educação. Ele também destacou a necessidade de reformulação da Lei do Piso, conquistada com atuação da CNTE.
“A Lei do Piso é uma das políticas mais exitosas de valorização salarial do magistério, pois estabeleceu um parâmetro nacional mínimo para os vencimentos da categoria. No entanto, trata-se de uma política que hoje precisa ser modernizada para continuar avançando na remuneração dos professores”, afirmou.
Plano de lutas
O 35º Congresso da CNTE também aprovou o plano de lutas que orientará a organização e a mobilização da entidade no próximo período. Entre outros pontos, o plano de lutas aprovado reafirma a defesa intransigente da educação pública, gratuita, laica, democrática e socialmente referenciada.
O fortalecimento do financiamento educacional, a valorização dos profissionais da educação — com destaque para a Lei do Piso —, além da luta por melhores condições de trabalho, outras formas de retrocesso nos direitos sociais também estão no documento.
