Vozes que fizeram história na CNTE abrem o segundo dia do 35º Congresso

O segundo dia do 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), nesta quinta-feira (16), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, começou com a saudação do presidente da entidade, Heleno Araújo. Em sua fala, ele destacou o caráter histórico do momento vivido pela categoria e apresentou a composição da Comissão Eleitoral do Congresso, aprovada por unanimidade pela plenária.

Na sequência, teve início o momento mais simbólico da manhã: as saudações de presidentes e presidentas que ajudaram a construir a trajetória da Confederação ao longo de décadas de enfrentamento, resistência e conquistas em defesa da educação pública. A atividade foi mediada por Fátima Silva, secretária-geral da CNTE.

Em pé, Heleno Araújo, presidente da CNTE, durante o 35º Congresso da confederação

 

Participaram das saudações Hermes Zanetti, Horácio Reis, Carlos Augusto Abicalil, Juçara Dutra Vieira e Roberto Leão. O ex-presidente Roberto Fenício não pôde estar presente, mas enviou uma mensagem aos congressistas, reafirmando seu apoio às lutas da CNTE.

 

Memórias de resistência
Ao saudar a plateia, Hermes Zanetti falou da emoção de retornar a um espaço de luta que ajudou a construir. “É uma honra muito grande estar aqui”, afirmou. Em sua fala, relembrou um episódio emblemático da resistência sindical durante a ditadura militar, quando uma mobilização no Acre foi impedida pelo Exército.

Segundo ele, a assembleia acabou sendo realizada dentro de uma igreja, com o apoio do bispo local. “O bispo da época me acolheu e me acompanhou em segurança até o aeroporto”, relatou, arrancando aplausos dos congressistas.

 

Conquistas que mudaram a história
Horácio Reis fez um resgate da construção da CNTE desde o final dos anos 1980, ressaltando que as lutas travadas ao longo desse percurso resultaram em avanços memoráveis. Ele citou o Pacto pela Valorização do Magistério e pela Qualidade da Educação, firmado em 1994, que previa melhorias nas condições de trabalho e a criação de um piso nacional para os profissionais da educação.

“Essas conquistas não precisam apenas ser lembradas, mas valorizadas e comemoradas por todos nós”, afirmou. Horácio também destacou a transformação do Fundef em Fundeb, consolidada no governo Lula, e recordou os ataques recentes à democracia. “Enfrentamos um golpe institucional em 2016 e, em janeiro de 2023, uma tentativa de novo golpe.”

 

Ousadia e dignidade
Carlos Augusto Abicalil ressaltou o orgulho e a admiração pela CNTE, associando a trajetória da entidade à ousadia de enfrentar a ditadura militar. “Viemos da coragem de desafiar aquilo que era dado como definitivo. Viemos proclamar que o poder nasce do povo e é o único exercício capaz de promover dignidade a todos”, afirmou.

 

Uma luta que não se encerra
Juçara Dutra Vieira destacou o caráter coletivo e internacional da luta sindical, saudando delegações estrangeiras e entidades convidadas. Para ela, o fato de os integrantes da mesa serem apresentados como “presidentes anteriores”, e não “ex-presidentes”, simboliza a continuidade da luta.

“Nessas batalhas que travamos, nenhum de nós é substituível. A luta é coletiva, não é local, é nacional e internacional”, afirmou. Juçara também lembrou a conquista do piso salarial nacional do magistério, alcançada durante o governo Lula. “Foi uma vitória de peso, que envolveu uma categoria que nunca havia sido reconhecida dessa forma.”

 

Tecendo o amanhã
Roberto Leão recorreu à poesia para sintetizar o espírito da CNTE, citando “Tecendo a Manhã”, de João Cabral de Melo Neto: “Um galo sozinho não tece uma manhã”. O verso foi associado à construção coletiva do movimento sindical.

Ele destacou que a história da CNTE foi feita por muitas mãos, com ousadia e enfrentamento. “Não nos submetemos àqueles que querem sufocar a classe trabalhadora e o amanhã que queremos tecer. Vamos seguir firmes, lutando pela educação pública”, afirmou.

O início do segundo dia reforçou o tom político do Congresso e evidenciou que a trajetória da CNTE é marcada pela resistência, pela construção coletiva e pela defesa permanente da educação pública, dos direitos dos trabalhadores e da democracia.

 

Fonte: CNTE

 

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