Sinpro mobiliza a categoria para o 8 de Março e reforça luta contra o feminicídio

O Sinpro mobiliza a categoria para ocupar as ruas neste domingo, 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. O sindicato se une às ações programadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF), que, neste ano, realizará um ato político-cultural com concentração, a partir das 13h, no Eixo Cultural Ibero-Americano (Funarte). A partir das 15h, a mobilização segue em marcha em direção ao Palácio do Buriti.

A mobilização ocorre em um cenário alarmante. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontam para o fato de que a violência contra a mulher segue em alta. Em 2025, a capital do país registrou 33 feminicídios, frente a 23 no ano anterior. No Brasil, foram 1.518 mulheres assassinadas no último ano, média de quatro mortes por dia. A maioria dos crimes é cometida por parceiros ou ex-companheiros e ocorre dentro de casa.

No Distrito Federal, as ocorrências de violência doméstica com base na Lei Maria da Penha ultrapassam 18 mil casos anuais. O DF conta, atualmente, com apenas duas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM I, na Asa Sul, e DEAM II, em Ceilândia), número considerado insuficiente para atender toda a população. Também há denúncias sobre a falta de estrutura adequada em equipamentos, como as Casas da Mulher Brasileira.

Além da violência letal, o assédio moral e sexual no ambiente de trabalho segue atingindo principalmente mulheres negras e jovens. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam crescimento nas denúncias, embora a subnotificação ainda seja expressiva, em razão do medo de retaliações. Casos de violência institucional também revelam como mulheres, especialmente negras e jovens, enfrentam abordagens abusivas e situações de extrema vulnerabilidade.

Para a diretora do Sinpro Berenice Darc, a presença da categoria no 8 de Março é parte da luta permanente do sindicato. “Quando defendemos condições dignas de trabalho para as professoras e políticas de proteção para nossas estudantes, estamos enfrentando a mesma estrutura que naturaliza o feminicídio. A escola é espaço de transformação, mas precisamos de políticas públicas que garantam segurança e respeito às mulheres dentro e fora dela”, afirma.

A diretora Regina Célia Pinheiro destaca que a violência que atinge as mulheres também atravessa o cotidiano escolar. “Nossas colegas e nossas estudantes não estão imunes à cultura de violência. O Sinpro atua para fortalecer a formação, o debate e a denúncia, porque combater o machismo e o racismo é também prevenir o feminicídio. Não aceitaremos retrocessos nem omissão do poder público”, declara.

A diretora Silvana Fernandes, por sua vez, reforça que ocupar as ruas é fundamental para pressionar o Estado. “Cada feminicídio é resultado de uma rede de negligências. Lutamos por mais delegacias especializadas, por casas-abrigo estruturadas e por investimento em educação para a igualdade. Defender as professoras e as alunas é defender a vida das mulheres”, pontua.

Programação

O quê: Ato político-cultural do Dia Internacional de Luta das Mulheres
Quando: 8 de março, domingo
Onde: Concentração no Eixo Cultural Ibero-Americano e marcha em direção ao Palácio do Buriti
Horários: 13h (concentração) e 15h (marcha em direção ao Buriti)